A gente sobrevive

No ápice da fadiga por conta de uma noite mal dormida e o acúmulo de trabalho, sucumbi à dor da crítica. Deixei aflorar nos olhos as lágrimas que há tempos venho guardando dentro da alma. Mas ela ainda não está limpa.
Os questionamentos são tamanhos na área profissional e amorosa que me pergunto se foi a decisão certa correr a corrida do espermatozóide e encontrar um óvulo para poder nascer. Ao telefone, limpei a mente, e como numa terapia com um dos analistas mais gabaritados, descrevi para ela, a salvadora do milênio e a grande culpada de tudo, a minha mãe, todas as angústias de uma vida.
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[ Imagem: reprodução / Pinterest: Cotidiano Dela ]
Sábia, mais uma vez me lembrou que eu sou a rocha mais casca de ovo que ela conhece. Nas palavras dela, a vida dela não seria tão deliciosa e saborosa sem ter sua Luiza, do jeito dela. A minha espontaneidade, dúvidas e questionamentos fazem da vida dela mais saborosa. Ela me lembrou que no meio dessa minha loucura toda, que muitas vezes julguei errada, existe um amor sem limites e uma doçura que às vezes esqueço ter. “Você é querida dentro e fora de nossa família.”
Isso dá forças para viver o dia a dia, a rotina execrante e necessária. No ápice da fadiga ouvi que sou capaz, ouvi que em duas semanas transformei o caos em harmonia, o torto em linha reta. Tudo isso sob meu comando.
No ápice da fadiga eu chorei, o choro dos justos, da mulher que sou, das dúvidas e certezas que tenho. Mas assim que enxuguei as lágrimas, já estava pronta de novo para o que desse e viesse.
Luiza Pellicani
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Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.

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