A história é velha conhecida | por Rubens Gualdieri

A história é velha conhecida: após algum tempo de relacionamento, o casal vê que não dá mais. Por um motivo ou outro, chegam à conclusão que o melhor a fazer, é separar. Sigam caminhos diferentes, para, ao menos, preservar a amizade. Ficaram tanto tempo juntos, que agora podem ser amigos…

Notaram? Não viram a luz vermelha acesa? A luz da sabotagem, da servidão invisível, a luz que acende quando se acorrenta com ilusão e esperança de que algo pode mudar? Pois é, em todo final de relacionamento, seja por convenções sociais, seja por educação ou simplesmente força de expressão, a bendita frase sempre escapa pelos lábios: “podemos ser amigos, né?”.

Pronto, está aí a receita para o sofrimento (ao menos um dos lados).
Em nome dessa “amizade” alguém sempre responderá aquele pedido de ajuda, sempre desviará do seu caminho para deixar uma encomenda que a tia-avó-sogra-da-ex-cunhada deixou, por mais que os compromissos devorem o tempo, em nome da “amizade” sempre haverá um tempinho pra dar aquela configurada no novo notebook, enfim, vocês terminaram o relacionamento, mas ainda continua uma relação tóxica, indecente e invisível de senhor(senhora)/servidão.

Raramente os dois lados estão em pleno acordo que deveriam terminar. Um dos dois ainda tem aquela pontinha de que “ainda dá jeito”. É quando a frase “podemos ser amigos” vira uma tábua de salvação em meio ao oceano bravio. E é quando as correntes invisíveis são colocadas nos pulsos com a permissão de quem está entregue à “amizade”.

Onde eu quero chegar? Simples: acordem! Acabou? Acabou! Bola pra frente. Que a frase “podemos ser amigos” seja apenas isso – uma frase.
Siga seu caminho, conheça novas pessoas, novos lugares, novos cheiros, novos ares, novos corações e, por que não, nova vida.

De que adianta vocês terminarem e continuarem a frequentar os mesmos locais de antigamente? Terminaram e ainda frequentam o mesmo círculo de amizade, a mesma balada, as mesmas viagens e os mesmos restaurantes. Isso tem um nome simples: você está se auto sabotando. Pondo de lado a chance de continuar a vida, em detrimento da “amizade”. Amizade esta, que só existe na sua cabeça, uma muleta para continuar se apoiando em um passado que não existe mais.

O fim dessa história? Previsível: essa amizade continuará até o dia que você encontrar a outra pessoa enroscada em outros lábios, braços e pernas. Aí vem o momento desmoronamento, tsunami, avalanche, terremoto ou, simplesmente, coração arrebentado (partido está desde o dia que vocês ficaram “amigos”).

A questão é: você esperava outra coisa? Se vocês continuam a se encontrar nos mesmos lugares, nas mesmas baladas, nas mesmas turmas, o resultado é lógico: Você vai ver o que não quer!

Se tem remédio? Desapegue, vá viver a vida. Orkut, Facebook, Twitter? Desapegue, delete tudo, unfollow geral e irrestrito.
Vai sair e sabe que podem se encontrar em algum lugar? Desapegue, mude os rumos, mude os planos, mude a cabeça.

Sem esse papo furado de “somos amigos”. Amigos confiam, amigos não jogam, amigos estão sempre pro que der e vier. Se vocês não foram tudo isso quando estavam juntos, vão querer praticar generosidade depois de separados?
Desapegue, fique leve, mude o cabelo, mude os gestos, mude os gostos, quebre os preconceitos, quebre as amarras, quebre as correntes, principalmente as invisíveis, pois estas, só você tem as chaves.

Então eu quero dizer que após a separação não pode haver amizade? Significa!
Pode haver uma proximidade, mas nada que mereça ser chamada de amizade, pois a amizade é generosa e deixa livre para voar. Jamais iria aprisionar de maneira tão covarde um coração carente de algo maior que amizade e sim, carente de amor.

Beijocas, livres, espontâneas, leves e sinceras.

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admin

3 comentários em “A história é velha conhecida | por Rubens Gualdieri

  1. Malandro, você pegou em todos os centros nervosos possíveis desse assunto.

    Eu concordo 100% com o ACABOU, ACABOU. Como você bem disse, amizade é confiança, companheiro é companheiro, FPD é FDP.

    Eu não confiaria tanto num ex-relacionamento quanto numa amizade que nunca teve nada que quebrasse essa confiança.

    O relacionamento pode ter terminado por “N” motivos, Joãozinho, mas ver a Mariazinha pegando outros José’s não vai ser legal quando vocês forem juntos pro rolê, certo?

    O fim de um relacionamento não é tempo de ficar deprê, é tempo de mudar a vida, mudar o armário, mudar o quarto, mudar as baladas, conhecer vida nova, buscar vida nova.

    Rubão falou, Rubão disse: “cafézinho booooam”.

    Abs 😉

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