A TAL DA INFLUÊNCIA

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Leia ouvindo: Oceanvs Orientalis – Ege

O céu estava mais límpido que o normal, talvez por isso a luz que invadia o local fosse tão intensa. Acordou aos poucos e sem pressa.

Ao contrário dos dias costumeiros, ao invés de ser influenciada pelo despertador do celular, foi desperta pela luz do sol que entrou de mansinho. A luz do sol fez com que o despertar fosse leve e calmo, não havia uma centelha da agitação nem das dúvidas do dia anterior na mente.

Descrevendo assim, parecia até que planejou aquele despertar. Mas por não querer perder o frescor da rua, nem a luz da lua antes de dormir deixou as janelas do quarto aberta e iniciou o ensejo do acordar sem premeditar.

Sorriu sozinha debaixo do edredom que cobria apenas parte do corpo. Olhou a cama desarrumada e lamentou aquele acordar mágico sem a companhia daquele que domina todos os pensamentos durante o dia.

Fotografia: Juliana Manzato

Ao contrário dos acontecimentos passados, a lembrança daquele homem, não causava dor, lágrimas, desespero e nem desconfiança. Há meses decidiu entrar naquele vazio profundo de quem sabe da mente dele e decidiu deixar o medo no passado.

Ao fechar os olhos, num encontro consigo mesma tentou relembrar quem era, seus passos, seus traços, suas quedas e todos os momentos que levantou sozinha. E assim viu que mesmo ali sozinha, carregava na alma tantas pessoas que cruzaram seu rumo. Alguns que nem mais sabia os nomes, outros que lembra com saudades e perdeu a convivência. Sorriu.

Mesmo naquela solidão perambulada de sabores e dissabores do passado se sentia plena. Agradecia o crescer pisando na grama, se sujando de terra, dos abraços compartilhados com quem viu crescer e aqueles milhares de almas que tocaram seu ombro em meio aos esbarrões cotidianos.

A verdade, refletiu quando a mente despertou, é que se estivesse em um quarto branco aonde não pudesse nem enxergar as mãos, ali sim estaria sozinha e na desesperança. Mesmo sozinha, os móveis, as plantas e o gritar dos adolescentes prestes a entrar em aula na escola próxima a deixavam mais viva, mais forte, mais sagaz.

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
Luiza Pellicani

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