A tal das borboletas | por Juliana Manzato

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Elas chegaram não sei como e se multiplicaram sem qualquer explicação. Voavam ora de maneira lenta, ora rápido demais, uma verdadeira montanha russa, ali no estômago.  Sensação deliciosa, leve, e sempre ligada a uma única pessoa: você. 
Você estava ali, dividindo músicas, sonhos, sucos, confidências. Antes a amizade, agora as borboletas. E depois dizem que a vida não prega peças.
Ouvir Tom Jobim, Vinicius, Caetano, Bebel, e mais um monte de Bossa Nova ganharam um toque especial, quase tão perfeito quanto o Leblon de Manuel Carlos. Comer o bolo de cenoura com cobertura de chocolate, acompanhado do milk shake de baunilha, era como sentir o gosto do nosso primeiro beijo. E a cada coisa diária que acontecia as borboletas pareciam se multiplicar.
Borboletas se multiplicando no meu jardim, e eu sem um jardineiro. Me sentia confusa, desesperada. Acabei me envolvendo com um amigo. Apesar das borboletas se multiplicarem, as lágrimas no travesseiro eram constantes. Não tinha mais coragem de te atender, de falar com você, sentir você. Queria o silêncio do meu jardim, e claro uma boa explicação do meu jardineiro para a tremenda confusão. Parecia que apesar de ser primavera, o inverno fora de época chegou, confundindo tudo. Solitária e em silêncio absoluto, deixei o tempo agir a favor do jardineiro, nada melhor do que ele para fazer as borboletas se multiplicarem ou irem de vez embora.
Foi então que eu decidi permitir. Permitir sentir mais borboletas, a cada vez que eu te via, que o telefone ou campainha da minha casa tocavam, quando a janelinha do msn subia. Quando da maneira mais doce e discreta aparecia uma carinha assim:  =) no meu facebook, ou quando você aparecia com o meu bombom preferido, e até mesmo, quando você me fazia rir absurdamente com uma piada ridícula. As borboletas não só eram sentidas, como multiplicadas, a cada dia, a cada conquista, a cada sorriso, ou carinho.
Percebi então que permiti que o jardim continuasse aos cuidados do jardineiro e principalmente, que as borboletas continuassem por aqui. Foi a melhor escolha que eu fiz.
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4 Comments

  1. @AninhaRuiz says

    Eu ainda acredito que se permitir vivenciar tudo aquilo que temos vontade, é a escolha certa.

    Ponto final, sem vírgulas dessa vez.

    Aninha Ruiz

  2. Doce says

    ai cai nakele texto do Gringo neh….pq não??? td vale a pena…qd a alma não é pqna…

  3. Caio Blumer says

    Borboletas foram criadas para voarem.

    As desgramadas ficam encazuladinhas até que um dia resolvem bater asas.

    É como a gente diz, quem ia descobrir a beleza que é pular de bundge jump, mergulher, ver o por do sol de cima do Everest se não tivesse a coragem de viver aquilo?

    Bjo 🙂

  4. Anonymous says

    “Queria o silêncio do meu jardim”… excelente!!

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