A velhice chega para quem quer

Por Bianca Ferreira

“Meu Deus, tô ficando velha!”

É recorrente ouvir esse tipo de comentário vindo das mais diversas faixas etárias (a partir dos 20 aninhos), de ambos os sexos e de todas as classes sociais. É se deparar com um programa de TV mais antigo, um brinquedo que não existe mais, um fato que marcou o mundo e, de certa forma, a nossa vida, para a gente achar que o tempo correu. Voou, na verdade.

Eu sei que para a minha avó, que esse ano completa 85 bem aproveitados anos, eu sou praticamente uma recém-nascida. Para a minha mãe, que exibe charme e disposição aos 53, eu sou uma “aborrescente”. Mas velhice, pra mim, consiste muito mais em um estado de espírito do que nas evidências do tempo e no tempo de vida na Terra.

Reclamar de tudo e de todos é velhice. Transparecer negatividade o tempo todo e sequer admirar um dia de sol é velhice. Não querer curtir a vida, dançar até ter que tirar os sapatos, beijar novas bocas ou reafirmar os beijos na única boca que você quer beijar, beber até se sentir flutuando de alegria, dar um mergulho no mar. Não querer nada disso é velhice. Ver a vida passar sem tomar uma atitude é velhice.

Não é velhice ser caseiro e preferir o filme em casa à balada. Não é velhice escolher o sítio ao invés dos agitos da cidade grande. Não é velhice se você prefere estar com uma pessoa só a estar com todo mundo. É velhice não aproveitar, não admirar, não gostar da vida.

A pessoa mais jovem que eu conheço é a jovem senhora de 85 anos citada acima. Minha vó é um grande exemplo pra mim de que a velhice só chega pra quem quer. Praticar três modalidades de esporte, achar todas as pessoas lindas, se sentir feliz cortando a grama do jardim, ter orgulho de não usar dentadura. Essas são algumas das coisas que fazem a dona Natal (sim, ela tem o nome da data comemorativa por ter nascido nesse mesmo dia) um modelo vivo de que elixir da juventude é uma tremenda besteira. Juventude é presente para quem a chama para perto. Juventude vem para quem gosta de viver.

Eu confesso que no domingo, ao assistir o meu ídolo de infância se apresentar e, além de apresentar sinais evidentes de que a idade para ele bateu forte, não ter fôlego para cantar o mesmo repertório que já cantou com tanta emoção, eu me senti velha. E aí eu decidi que eu não queria ser velha. Eu queria me sentir uma sweet child por um bom tempo.

Juventude e velhice: a gente é que escolhe o que vai ser. Aceitar que a idade chega igualmente para todo mundo já é um bom começo para praticar o espírito jovem.

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2 comentários em “A velhice chega para quem quer

  1. Ah! Que lindo post!!! Pura verdade! A velhice está na cabeça… isso me lembrou do meu fim de semana. Estava em uma festa de aniversário e preferi ficar conversando com umas velhinhas do que um grupo de jovens entediados. não me arrependo da escolha… me surpreendi com o papo delas!! Temos que parar de julgar as pessoas pela aparência #ficaadica bjss

  2. Ah! Que lindo post!!! Pura verdade! A velhice está na cabeça… isso me lembrou do meu fim de semana. Estava em uma festa de aniversário e preferi ficar conversando com umas velhinhas do que um grupo de jovens entediados. não me arrependo da escolha… me surpreendi com o papo delas!! Temos que parar de julgar as pessoas pela aparência #ficaadica bjss

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