A vida é tão rara

Leia ouvindo: Lenine – Paciência

Enquanto o mundo roda numa velocidade que quase me deixa tonta, eu pego emprestada a canção de Lenine e finjo ter paciência. Por mais árduo que seja manter a compostura, ensaio meu melhor sorriso, que, dizem por aí, tem lá seu encanto, e enfrento com elegância algumas ignorâncias que os dias jorram no nosso peito.

É que o mundo anda bem assim, estúpido demais pro meu gosto. Ainda que eu careça de doçura intrínseca, encontro-me estupefata diante de toda e qualquer grosseria. A rotina cansa, o trânsito cansa, a televisão cansa, a violência cansa… As pessoas, às vezes, cansam. É um ciclo vicioso de coisas marrons, cinzas, pretas. Mas me peguei pensando naquelas economias que andei guardando no cofre e achei incrível a ideia de comprar tintas coloridas para pintar a vida.

[ Imagem: reprodução ]

É que eu acredito em uma coisa chamada amor, e tenho uma crença quase cega de que os bons são maioria. Minha estranha mania de ter fé na vida me leva a viver todos os dias com a certeza de que há, sim, amor no mundo e de que um céu azulzinho azulzinho há de surgir no meio de toda essa tempestade.

Quanto mais a gente vive, mais a gente se dá conta de que a vida é mesmo rara, um sopro. Passa rápido demais e não dá nenhuma trégua, nenhuma chance de viver tudo de novo. É melhor, então, que a gente, de fato, tenha paciência. Mas não só paciência: que sejamos tolerantes a todas as formas de amor, que não tenhamos vergonha de viver a vida, que acreditemos em anjos e que sejamos anjos para quem a gente ama.

Que a gente se arrisque, todos os dias, na ousadia de tentar mudar o mundo. Nem que seja o nosso próprio mundo, nem que seja o mundo de alguém. Que, ao invés de só sobreviver, a gente viva. Cem por cento, diminuindo medos, elevando coragens. E que, pra nós, liberte-se todo o amor do mundo. Porque amar ainda é difícil, mas também o mais lindo – e leve – de todos os verbos.

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Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

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