Amor não é doce

Leia ouvindo: Foster the People – Nevermind

Mudo de cabelo sempre que vou ao cabelereiro. Enjoo do corte, dar cor, da minha cara. Gosto de sair diferente de como entrei. Enjoo daquela comida deliciosa, que até ontem comia rezando. Enjoo da roupa nova que comprei e usei vezes seguidas. Enjoo da rotina e enjoo da falta dela. Resumindo, eu enjoo fácil das coisas. Haja criatividade para agradar uma pessoa que enjoa tanto e tão fácil. E, diante dessa minha compulsão por enjoar, ele me disse uma vez: tenho medo que um dia você enjoe de mim.

Simplesmente impossível.

{ Imagem: reprodução }
{ Imagem: reprodução }

Como a gente enjoa de quem nos faz feliz? Como a gente enjoa de beijos de boa noite e cafés da manhã na varanda? Como enjoar de quem troca de prato no restaurante quando você quer experimentar um diferente e não gosta? Como enjoar de alguém que enxuga suas lágrimas quando você chora simplesmente por nada? Não dá. Não tem como enjoar de abraços apertados e piadas bobas. Não se enjoa de discussões e desentendimentos que terminam com um enrolado no outro. Não se enjoa do que te tira e te coloca no eixo, ao mesmo tempo, na mesma intensidade. Não se enjoa de quem te faz uma pessoa melhor a cada dia, que te ensina e que aprende com você. Simplesmente não se enjoa.

A gente pode querer mudar o cabelo todo mês, o armário a cada semana ou de prato preferido a cada dia. Mas querer mudar de quem a gente ama não tem como. Principalmente quando quem se ama te responde na mesma medida. Da mesma forma, e no mesmo tom. E não porque tudo é um mar de águas calmas para se navegar. Não. Não é mesmo. É justamente o contrário. É o balanço, o movimento, que não enjoam a gente. Amor não é doce. Se fosse, também enjoaria.

Assinatura Lívia

A Lívia também escreve Em cima do Muro 😉

Últimos posts por admin (exibir todos)

admin

3 comentários em “Amor não é doce

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Voltar ao topo