Amores entusiastas

Leia ouvindo: The Paper Kites – A Maker Of My Time

Cansei de tentar achar explicação para algumas coisas, relacionamentos é um exemplo. A gente vai vivendo assim, como dá, como pode, entregando aquilo que conseguimos e deixando a pedra no sapato atrapalhar a caminhada.

Não estamos satisfeitos dentro deles, não somos felizes solteiros, não estamos em paz com nós mesmos. Somos presença física e ausência de alma. Estamos cansados da demanda criada e da entrega feita. Aquilo que eu quero para um relacionamento não é o que ele quer e o desafio é achar um ponto em comum. Em épocas de Tinder, confesso que acaba sendo complicado, o ponto comum na maioria das vezes é a cama.

Denise tem razão quando diz que dormimos juntos e acordamos separados. Aplaudimos de pé textos bonitos e bem escritos assim, levantamos as bandeiras e apoiamos a causa, mas acho um grande desperdício tudo isso acontecer e quando a carência bate lá vamos nós buscar o descanso num peito desconfortável no famoso aplicativo. Assim fica fácil apoiar causas.

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Somos entusiastas de relacionamentos, mas não sabemos se queremos realmente viver um. Achamos admirável um casal viver 60 anos juntos, mas nunca nos perguntamos quais foram as maiores dificuldades que aqueles dois já passaram. Na primeira discussão sobre qual molho vai na massa, desistimos. Pronto, cada um para um lado. É mais fácil e cômodo para ambas as partes. É uma geração de gelatina, parece firme demais até descobrirmos que na verdade o fato de ser flexível é um problema.

Me incluo no balaio desses entusiastas de relacionamentos e ansiosos pelo amor. Temos pressa para quase tudo, inclusive para ter o amor de alguém. Relacionamentos estão bem parecidos com os sacos de lixo, quando cheios, é hora de jogar fora, como se fosse descartável o fato de sentir. É feio sofrer de amor, chorar, abrir o coração ou tentar ajeitar as coisas. Precisamos mostrar o quão orgulhosos somos de ter no meio do peito apenas um músculo, e esquecemos que é ele quem comanda a vida.

É de uma tristeza sem fim dividirmos a cama com alguém para apenas experimentar novos lençóis e acumular números. Optamos por quantidade quando na verdade deveríamos buscar qualidade. Ora, não me venha com essa desculpa sem vergonha que mistura sem dó nem piedade prazer e quantidade. Foi-se a época de micaretas, depois de vinte e tantos anos deveria ser obrigatório amadurecer e não apodrecer.

Não é uma explicação, é uma constatação triste sobre o mundo atual dos amores entusiastas. Em meio ao “ame aquele que quiser”, dei de cara com a banalidade e uma tal de modernidade que eu sinceramente não sei lidar. Erro tanto ou mais do que você que está lendo esse texto, por vezes entro em relacionamentos de forma banal, mas ainda acredito que dentro desse balaio que juntos estamos, ainda existe gente que deixa o celular de lado depois das 22h para dividir a cama e falar como foi o dia.

É Tinder, ainda acho que a guerra não está ganha e que o amor, aquele real (sem tela de celular ou conversas de puro tesão) ainda vence.

Assinatura_Ju

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

2 comentários em “Amores entusiastas

  1. Juliana,

    Esse texto é muito…. Foda!! Desculpe, mas é!!!
    Adoro textos com tanta verdade. A minha, a sua declarada e o da menina que comentou antes… Hahha

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