Andar com fé eu vou

Leia ouvindo: Jeff Buckley – Hallelujah

Todo ano, quando passávamos férias na casa da vovó, ela nos colocava para dormir rezando junto com todos os netos. Vovó e vovô sempre foram muito religiosos e devotos, e foi com eles que aprendi tudo que sei sobre Deus. A minha criação é católica, fui ensinada muito cedo a orar todas as noites e pedir que Papai do Céu nos abençoasse. Não deve ser coincidência que a vida seja hoje tão cheia de coisas boas.

Passado o período da infância, a gente cresce, começa a criar novas ideias e convicções, vira as costas pra tantas outras e se acha dono de si. Inventei que era descolada demais para ter uma religião e nova demais para ter obrigações com entidades imaginárias. Foi bem por aí que parei de falar com Deus.

Passado o período da adolescência, a gente cresce mais um pouco, cria outras tantas ideias e convicções, vira de frente de volta para algumas outras e descobre que não é dono de nada, que o destino não nos pertence. Voltavam os ensinamentos de vovó e vovô, talvez de forma um pouco mais madura, quiçá mais abrangente. Quando o calo aperta, a gente percebe que precisa de uma força maior, de algo divino em que possamos nos agarrar. Foi bem por aí que voltei a pensar em Deus.

[ Imagem: reprodução / pinterest Cotidiano Dela ]
[ Imagem: reprodução / pinterest Cotidiano Dela ]

Eu não acredito na homogeneidade das crenças entre pessoas tão heterogêneas. Ainda que o mundo tivesse um único continente, uma ou duas culturas diferentes, seria pouco provável que bilhões de pessoas pudessem pensar tão igual, acreditar tão igual. Mas eu creio que todos nós, sem exceção, sem xenofobia ou racismo, sem distinção de idade ou classe financeira, precisamos de fé pra viver. Fé em que? Em Deus, na vida, no amor? Não importa o tipo de crença que se carregue, o ser humano precisa acreditar para seguir em frente.

Eu nunca tinha deixado de acreditar Nele, mas lá pelas tantas entre os 20 e os 30 eu voltei a conversar com Deus. O peito tinha apertado, as angústias tinham se alastrado, o caminho parecia mal traçado. Pedi que Ele continuasse me iluminando e mandando os sinais de que tudo ia ficar bem. O meu lado mais racional nunca teve certeza de que isso daria certo, mas a fé dentro do coração me implorava para acreditar.

Talvez aquela frase “crer pra ver” esteja mesmo certa. É preciso crer na cura, na bondade, em finais felizes. Eu precisei crer em Deus para que a vida voltasse a girar no ritmo certo. Há pessoas que creem em espíritos, autoconhecimento, fadas. Não me importa, mesmo, que as crenças pareçam absurdas ou até engraçadas. Passado o período da busca, a gente cresce espiritualmente, cria motivos para lutar, vira de frente para os desafios e descobre que a fé é o ingrediente especial para uma receita de vida que dê certo.

Andar com fé, vamos? Ela não costuma falhar.

Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

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