Ao ex-amor

Leia ouvindo: Priscilla Ahn – Leaves

Te amei em cada curva sem querer nada em troca. Te amei pela sua essência. Pelo seu sorriso despropositado. Pelo seu reflexo no espelho. Pelo seu tempo. Pelas suas frases de efeito. Pelo seu pensamento crítico. Por me fazer pensar sobre o certo e o errado da vida.

Amei, amando e sem pensar no seu sentimento por mim.

Fotografia: Paulo Manzato Jr.

Quando me peguei naufragando em pensamentos, vi que meu amor era por você, mas seu amor não era para mim.
Vi que entre lençóis seu desejo não era por uma mulher inteira, queria apenas suprir sua necessidade sem querer me olhar nos olhos e me completar.

Andei então de mãos dadas com o vento que mexia saias que não eram minhas, assim como fios de cabelo que não me pertenciam.

As mensagens trocadas secretamente na madrugada não acabavam com os meus sonhos, acabava com os sonhos de outra e de outras como num fluxo inconsequente durante uma caça.

Meu predador pessoal morava em meus sonhos e matava lentamente desejo de que tivesse por mim o que tinha por ele.

Quisera eu que fosse sua única presa entre suas garras afiadas, entre seu afinco de ter para si como sua única posse, seu único alimento.

Vaguei por sombras já conhecidas, deleitando meu alento no calor quente do inferno que sua presença determinou para mim. Meio viva, meio caça, meio nada, apenas na expectativa de sua chegada. No meio daquelas chamas ardentes senti a brisa leve e relaxante do meu eu e da minha liberdade.

Como o alarme sonoro do carro que exige a colocação do cinto vi que aquele amor sentido em cada esquina e sagrado não poderia ser meu, aquele amor precisava do mundo, precisava tocar outras peles, sentir outros lastros, laços e aços de uma vida só minha. Precisei me libertar de você.

Primeiro te tirei da minha vida. Depois de semanas te tirei das minhas histórias. Com muita força fui apagando da memória seu sorriso, seus trejeitos, seu olhar para mim.

Mas só depois de muito tempo consegui te tirar realmente do coração. Só depois desse consegui te esquecer e te reconhecer apenas nas boas lembranças guardadas em compartimentos felizes da memória. Mas ainda não consegui me abrir para deixar um novo amor, forte como o que tivemos, entrar.

Paciência, tenha apenas paciência ex-amor, afinal tenho a esperança do dia que o novo amor chegar.

Luiza Pellicani
Últimos posts por Luiza Pellicani (exibir todos)

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Voltar ao topo