#AOLADO | A AVÓ AO LADO

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Leia ouvindo: Sjowgren – Now & Then 

Dona Júlia, 82 anos, minha avó há 31. Uma das minhas maiores referências de vida, foi ela quem construiu alguns dos meus alicerces. Apesar da distância, ela no interior e eu em São Paulo, nossas manias se encontram no dia a dia. Ontem mesmo liguei para ela, precisava saber como fazia polenta. Talvez por estar com saudade de casa, mas muito por que quero levar algumas receitas dela para a vida.

Tenho um apresso imenso por idosos, principalmente mulheres. Gosto de ouvir histórias, de demonstrar afeto e gentilezas. Sempre penso em como é envelhecer e provavelmente se tornar invisível aos olhos de muitos, inclusive da família. É como não “servir” mais, mas ainda assim ser servido o tempo todo.

Fotografia: Juliana Manzato

Mulheres sempre tiveram a vaidade como aliada. Um belo alimento para o ego que gosta de superficialidade. Penso que diante de tantos estímulos para manter a juventude, principalmente na pele, esquecemos de nos aprofundar naquilo que realmente interessa: será que vivemos tudo aquilo que poderíamos viver? Será que mesmo com o tempo ficando cada vez mais curto, não podemos buscar alegria e vitalidade de outra maneira?

E esbarrando nesses questionamentos, me pergunto como posso melhorar a alegria e vitalidade da senhora que escolhe mamão ao meu lado. Um pouco antes esbarrei em uma outra na peixaria. As sextas-feiras tem feira na rua de casa, encontro com várias. Puxo algum assunto, converso sobre o preço dos legumes, pego receitas e dicas de como preparar tal alimento. Aquelas que me dão mais abertura, faço algum tipo de elogio. Cabelo, blusa, unhas e por ai vai.

Lembro da minha avó todas as vezes. Geralmente depois de encontros assim, eu ligo para Dona Julia. “Tá boa? Como foi o dia?”. São minutos de conversa que fazem valer o dia.

Por conta de uma rotina insana perdemos conexão com os nossos laços mais profundos. Todas as senhoras que encontramos no dia a dia trazem a tona essa conexão. Para você estar aqui, alguém de muito mais sabedoria permitiu isso.

Todas nós, mulheres, temos uma anciã que nos protege, orienta e ampara. Uma anciã que mora dentro de nós e quer nos dar a benção, indicar o caminho certo, alertar dos perigos e fortalecer laços com outras anciãs que estão vivas e presentes no nosso dia a dia.

A avó ao lado é um despertar para nossa anciã, para valorizarmos quem cruza o nosso caminho e aprendermos que envelhecer é precioso demais para passar desapercebido.

Na próxima vez que cruzar o caminho de uma senhora, pense em como você poderia fazer o dia dela melhor. Se você acha que com a idade que tem possui boas histórias, imagina ela que tem pelo menos o dobro da sua.

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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