APRENDIZADO DO PASSADO NO AGORA

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Leia ouvindo: Cícero – De passagem

Te ver livre. Te ver desprendido. Te ver criança. Que prazer que a vida me proporcionou quando o coração estava cheio de mágoa, tristeza e dor. Aquela dor de endereço próprio e sorriso conhecido.

Mas nem de choro e lágrimas vive o homem. Nem só de tristeza uma jovem mulher pode encontrar ou perder seu rumo. No renascimento de um destino sem rótulos, viu o desenvolvimento nos primeiros passos. Primeiro deixou aberta a porta que havia fechado, depois deixou entrar aos poucos.

Pouco tempo para renascer, os distantes diziam, como se a tristeza constante fosse justificativa para o crescimento e necessária pela eternidade do ser. Mas as escolhas são únicas e exclusivas do autor do roteiro da minha vida. Estamos aos poucos aprendendo com nossas escolhas e revivendo aquilo que deveríamos ter aprendido ainda na infância. O cair, o levantar, o não desistir e sempre se superar.

Num vale encantado de momentos nossos e de sorrisos mascarados pela penumbra da noite escura, os primeiros passos cambaleantes em meio a vergonha de um aprendizado tão tardio. Da confiança em outra pessoa para se deixar ensinar. A teimosia de ter certeza de já ter aprendido, cair, tentar desistir, mas ser instigado a recomeçar.

Se for preciso ouvir palavras duras: “Continue logo e para a reclamação”.

Se for preciso ouvir palavras ternas: “Estou orgulhosa de você, continue assim.”

Fotografia: Juliana Manzato

Como crianças, fomos nos acertando enquanto o vento teimava em se fazer presente. Foi ali naquele momento que o mundo parou e tudo pareceu estar certo e em seu lugar. Uma volta para casa, uma volta para um abraço, uma volta com segurança. Como se ao cambalear, e no olhar inseguro, encontrasse a certeza que tudo estava certo e tranquilo.

Dei pequenos pulos de felicidade em cada pequena conquista infantil, sorri o sorriso dos jovens, sorri na lembrança doce de um presente que se construía naquele futuro cambaleante sem aquele passado de dores.

Era eu comigo mesma sob a luz da lua. Eu e meu amor próprio. Eu e meu amor pelo futuro. Eu e meu amor pelo aprender. Eu e meu amor com a finalidade de me perdoar. E devo dizer como é bom estar amando a mim mesma.

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
Luiza Pellicani

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