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São algumas paredes brancas, chão de ardósia e muitas histórias para contar. Tanta gente viveu momentos aqui, os meus foram anos. Descobri meu espaço com 17 anos, quando sai do ninho e cai na cidade grande. Era eu, as paredes, o chão, uma cama, alguns puffs espalhados pela sala, a tv e o som. Vivi os melhores anos da minha vida, chorei meu rio de lágrimas por aqui também.

Não é fácil descobrir o mundo sem o colo de mãe, a bença da avó e um “vai em frente” do pai. Sobrevivi e aprendi. Aprendi que a comida não brota da panela, que a roupa suja, que o eco é amigo, que amigos em casa é uma delícia e que as melhores festas que eu fui foram aqui em casa. Sexta-feira a turma da faculdade se reunia aqui, sábado era eu, a bagunça e depois a casa dos meus pais.

Com o tempo ele mudou, ganhou um novo morador, um pouco mais de amor. Depois dele, veio ela, uma cachorrinha para alegrar a vida e os trabalhos de madrugada. De apartamento universitário para lar. Ele foi embora, ela mudou para a casa dos meus pais. O lar continua, o amor deles está aqui. O meu também.

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É incrível como morar sozinha te faz uma pessoa melhor. Com o vizinho, o porteiro, a família, os amigos. Morar sozinho te faz ser vivo e valorizar pequenas coisas que passam despercebido. A comida com gosto de mãe, o abraço de saudade, encarar o dia chato do trabalho, as compras no supermercado, as roupas no sofá. Nada acontece sem você. É a vida te mostrando que dá para ter tudo, basta querer. Você também aprende a administrar melhor o tempo, a lavar banheiros, usar a máquina de lavar roupa e pendurar coisas no varal. Aprende que o silêncio é sagrado e que barulho é bonito. Que quem cozinha não lava louça, que seus amigos de verdade vão ajudar com a bagunça.

Ah, meu apartamento! Um pedaço meu em formato quadrado, redecorado tantas e tantas vezes. Essa última foi a melhor, teve tapete, almofada nova e colcha no sofá. Talvez ele imite a minha vida, tão cheia de mudanças e fases de lua. Parede vermelha, almofada jogada, na sacada tem flores, na cama lençol azul. Na próxima semana, tudo muda. Eu juro organização, mas ele é da mudança.

A vida imita a casa. Muda, muda, atrapalha, revira, muda de novo, até acertar os móveis no lugar. Ela segue, ajeita e continua sendo nossa. Ali é o seu território, seu domínio, só entra quem você quer, só fica quem você permite e sai pela mesma porta que entrou aqueles que não entendem por completo suas manias e bagunças. Nossa casa, nossa maior extensão.

Se eu pudesse te dar um conselho seria morar pelo menos por um ano sozinho, em terras tupiniquins ou pelo mundo afora. O motivo? Porque como bem dizia minha avó, quando a água bate na bunda é que a gente realmente aprende a nadar.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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