Bateu vontade

Leia ouvindo: Marcus Alexander – All Again

Vontades são involuntárias. Aparecem como um furacão e é sua escolha que ela fique ou vá embora. Vontades das mais diversas: comer um doce, comprar uma roupa, tomar sorvete, sentir um perfume, roubar um beijo, ligar, falar, sumir, abraçar, estar, viajar, de fazer nada ou de fazer tudo.

Mulheres e suas vontades. O cotidiano e as nossas verdades. Para que ser a favor se podemos ser “do contra”. Grandes vontades perdidas para um mundo hostil. Um mundo que a gente até acha que ajuda, mas na verdade atrapalha grandemente o fluxo natural da vida, das vontades e da nossa real verdade.

Parece mesmo que as vontades foram feitas para nos sentirmos culpadas. Somos livres, mas presas em muros de padrão. Colocar o rosto para fora da casinha e descobrir um mundo livre é feio. É como se não fossemos dignas das nossas vontades. É julgamento em cima de julgamento. Crise em cima de crise e vontades esparramadas no chão, empurradas com carinho para debaixo do tapete.

Não podemos sentir, não podemos falar, não podemos agir, não podemos sair do lugar. Por quê? Você vai me perguntar. Porque não temos culhão para aguentar as críticas em cima de nossas próprias vontades e escolhas. O mundo melhorou muito, mas ainda continua hostil para o nosso lado. Hostil em todos os sentidos, como mulheres, mães, esposas, filhas, amigas e profissionais.

Cada vez mais percebo que somos amontados de expectativas e vontades que são deixadas de lado pelas mais variadas desculpas. Estamos abandonando pequenas felicidades pelo caminho só porque o outro não gosta. Estamos cada vez mais preocupados com a grama mais verde e não com o nosso próprio jardim florido. Gente, que graça se vê num gramado quando a diversidade de um jardim chama mais atenção?

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[ Imagem: reprodução / Pinterest ]

Estamos ocupadas demais em provar para tantos que somos capazes, quando na verdade não conseguimos fazer isso para nós mesmas. Nos tornamos chatas! Apontamos o dedo para outras, tão mulheres quanto nós, e nos esquecemos que nem tudo é como a gente vê. O outro também sente, o outro também se machuca, o outro também tem expectativa, o outro também é tão vivo como você.

Queria de presente uma balança de vida! Para saber o quanto pesa esse monte de vontade deixada de lado, essas críticas insanas, um ego inflado, e tudo aquilo que torna a vida abarrotada de culpa e pesada demais para levarmos adiante.

Queria a felicidade em sua melhor forma, genuína.

Queria viver sem passar vontade, sem culpa ou peso na consciência. Seja por um doce, uma amiga, um homem ou uma atitude. Há quem diga que é fácil ser livre de todas essas coisas, mas talvez me falte culhão para experimentar tal sensação.

Nos acostumamos com essa sensação insuportável de sobreviver a uma sucessão de dias felizes. Quando tudo parece ser livre, real e equilibrado, o mundo te joga em uma realidade que não é sua, uma vontade que também não é e te faz enxergar que insuportável mesmo é sobreviver diante dessa porra de sociedade.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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