Bônus da vida!

Leia ouvindo: Lykke Li – Dance Dance Dance

Você me trouxe uma carga de bônus pra vida! Sim, isso mesmo! Mas antes de ficar vaidoso, me deixa explicar o motivo de dizer isso enquanto faço as malas pra partir!

Quando nos conhecemos eu acreditava estar diante de um bilhete premiado na loteria da vida. Você e seus olhos curiosos, você e seu sorriso aberto, você e toda a sua inteligência! E vivemos as glórias desse encontro, ainda que unilateral. Eu amava te amar. Sentir por você cada gota desse enlouquecedor desejo, viver os momentos regados à paz e loucura que só você sabia me trazer. Eu não fui infeliz com você, disso tenho cada dia mais certeza. Mas não posso dizer que não fui iludida. Isso seria mesmo demais, até mesmo pra mim e toda a minha tolice.

Próxima a chegar aos 30, eu fico me perguntando como fui capaz de amar assim, com esse fogo adolescente e essa cegueira quase infantil? Como fui capaz de, mais uma vez, amar sozinha? Pena que amor, nem sempre, é o suficiente. Te digo isso já fazendo as malas, pegando o resto de mim que deixei esparramado em você, me recolhendo. Vou me levar, e sobre isso você não tem mais direito de opinar.

Quando foi que nos perdemos? Essa é a pergunta que deve estar rondando a sua cabeça, porque foi a mesma pergunta que me enlouqueceu nos últimos meses. Era você o meu par, sempre fora. Quando foi que deixou de ser? Você não é uma má pessoa, nunca travamos brigas homéricas. O problema, talvez, tenha sido isso mesmo. Dia desses, com o coração partido por ter tomado a decisão de te deixar, deitei no colo da minha mãe e deixei de meus olhos rolarem as nascentes que tanto represei. Chorei como há tempos não me permitia fazer.

2015 Dylan & Ceara LA

[ Imagem: reprodução ]

Quando me acalmei, ela e toda a sua sabedoria que só se adquire depois de muito viver, me perguntou o motivo do choro. Quando expliquei sobre a minha decisão, ela refez a mesma pergunta. Me disse que a decisão não era o real motivo do sofrimento, e eu bem sabia disso. Foi então que eu pude entender que eu não chorava porque estava prestes a te deixar. Ah não! Eu estava sofrendo porque você não iria me pedir pra ficar, e disso eu tinha certeza.

Nascido e criado para ser o exemplo vivo de perfeição, era mesmo muito raro que você pudesse enxergar o quanto essas pequenas ausências poderiam me machucar. Me perder não estava no roteiro, isso não aconteceria jamais – na sua cabeça. Pro mundo, no palco das redes sociais, protagonizávamos um romance como os de cinema. Mas era no silêncio do carro, ou na frieza das quatro paredes brancas que sabíamos a verdade de nós dois. Nua, crua e há km de distância um do outro. Não há solidão pior do que a vivida a dois, meu amor!

Antes de partir, quero lhe deixar meus expressos agradecimentos por não ter sido pior. Foi aí que descobri que, mesmo não sendo pra sempre, você me deu sorte. Em tempos de tanta maldade, você só não me amou com força. Isso não deixa de ser um crime, mas você pode pagar fiança. O desamor, ainda que extremamente dolorido, se cura com amor de sobra. E eu não sei mesmo qual seria o remédio se o veneno fosse traição ou maus tratos. A gente passa a vida toda se perguntando qual a fórmula secreta pra viver esse tal de amor tranquilo, que o Cazuza cantou e descobre – aos 45 do segundo tempo – que sem emoção e fúria, amor algum tem graça!

Mayra_2015 

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