Boteco da Onça | Bar da Linguiça

por Rubens Gualdieri

Alguém aí pensou: ué, mas o Bar da Linguiça não fechou?

E eu respondo: sim, fechou, agora é Cervejaria Stefanelli. Mudou de nome, mudou de lugar, mas não mudou a alma de boteco. Está mais requintado, é verdade, mas o espírito de “bar” está mais vivo do que nunca.

Contando história pra quem não é de Campinas (ou tão velho quanto eu), o Bar da Linguiça, apelido do Bar Café Paulista, funcionou por 70 anos na Avenida João Jorge, em Campinas. Por diversas vezes fui companhia para meu pai naqueles balcões de fórmica. Enquanto esperávamos o lanche para levar pra casa, brindávamos com cerveja e guaraná, sendo e fazendo companhia para médicos, políticos, policiais militares do 8º Batalhão (que ficava em frente), turistas de toda a parte do Brasil – e mundo – indicados pela recepção do Hotel Vila Rica, mecânicos da Viação Cometa – que ficava na rua de trás (hoje, todo o quarteirão é da Universal do Reino de Deus) e, claro as companhias femininas das putas que faziam ponto ali ou estavam de passagem para o Jardim Itatinga, local de zona do meretrício de Campinas.

Os anos passaram, eu cresci, não precisei mais da companhia do meu pai pra ir até lá e levei muitos amigos para saborearem o mais famoso lanche de linguiça da cidade.

Mas, como tudo segue um ciclo, em novembro de 2007, as chapas do bar que funcionou por 70 anos ininterruptos, esfriaram. Suas portas baixaram e com elas, muitas lágrimas rolaram. Sensação esquisita de fechamento de túmulo…

E quem disse que alma de boteco fica no limbo? Nesse caso, até abril de 2008, quando, cravado no meio do caminho entre os estádios da Ponte Preta e do Guarani, renasceu o Bar da Linguiça, agora batizado de Cervejaria Stefanelli.
Seo Ambrósio, veteraníssimo na matéria “boteco” não deixou que um bar de respeito morresse assim, de véspera. Já diz a tradição botequeira que, quem morre de véspera é perú.

Atualmente é um local ideal para comer o lanche que vai pura linguiça de porco e queijo derretido no pão francês. Para beber? Heineken, Original, Serra Malte ou até mesmo o mijo de égua que é a Skol (afinal, gosto não se discute, se lamenta).

Para degustadores mais exigentes, o bar oferece um cardápio generoso de cervejas importadas e artesanais. Ah, e as cachaças! Das mais simples e comerciais até as premium, indicadas para quem sabe o prazer de beber pinga de qualidade até chamar os cachorros de compadres, porém, sem um pingo de ressaca no dia seguinte. Não perguntem como sei disso, só sei que sei.

Tem ainda caldinho de feijão (o famoso levanta defunto), porção de linguiça caseira, croquete e vários outros tipos de lanches, para forrar os estômagos mais famintos após várias cervejas geladas e algumas cachaças.

A casa oferece um deck agradabilíssimo para as noites quentes de verão, além de um espaço reservado para festas e eventos.

Por que eu recomendo? Além dos motivos acima (emocionais e gastronômicos), é um local que posso conversar com todos da mesa, no espírito de um boteco, pois não tem uma porra de uma banda concorrendo comigo na hora de conversar com os amigos e o Seo Ambrósio recebe cada um como se fosse um filho que voltasse de uma longa viagem.

Quando quiser um boteco bem localizado, com muita gente interessante e sem as frescuras afetadas do Cambuí, passa lá na Cervejaria Stefanelli. Seu estômago e estado de espírito agradecem.

Cervejaria Stefanelli
Av. Ayrton Senna da Silva, 404 – Proença
Fone 19 – 3251-5558
Terça a Sábado, das 17h até 00h, com almoço aos Sábados.
e-mail: contato@cervejariastefanelli.com.br

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