Caipira, sim!

Leia ouvindo: Current Swell – Long Time Ago

Sou caipira de carteirinha. Nasci numa cidade de aproximadamente 45 mil habitantes, puxo o “r” com orgulho, adoro pé no chão e cheiro de mato. Cresci correndo pelas ruas, subindo nas árvores do quintal da casa da minha avó, tomei inúmeros banhos de mangueira, brincava com os leitões e bezerros do sítio da família do meu avó. Às tardes na chácara eram regadas à garapa, em época de jabuticaba a gente ia direto no pé, de amora, a gente se sujava para pegar as mais suculentas, que ficavam la em cima. A brincadeira de casinha – tão comum na vida das meninas – era feita nas Goiabeiras que ficavam próximo ao portão e a diversão mesmo, era tomar sorvete de groselha depois das brincadeiras.

Cresci sabendo aproveitar a natureza e hoje preciso dela. Morar em uma cidade grande (Oi, Campinas) tem lá suas vantagens, mas eu preciso mesmo é fugir para o mato, colocar os pés na terra, dormir na rede e sentir o cheio do chá mate da minha avó.

No interior você não precisa de muito para ser feliz. Ainda existem os senhorzinhos do sorvete, nas praças ainda existem crianças, as pessoas param na rua para conversar e os vizinhos trocam receitas e carinho. Digo isso, porque na rua que cresci a vizinhança é antiga, mais de 60 anos juntos. Netos, bisnetos, amigos, uma família pequena de rua.

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Só depois de morar próximo ao caos que valorizei a minha essência caipira. Simplicidade para viver ainda é tudo e quando volto para minha cidade-mãe isso fica cada vez mais forte. Minha família não tem posses, não somos ricos, mas aprendi desde pequena à valorizar a comida na mesa, as frutas do pé, a amizade entre as pessoas e principalmente a simplicidade na maneira de viver.

Aprendi que a gente pode mudar de vida, mas valores e raízes, ficam. Depois de algum tempo negando origens (sim, já tive vergonha de tudo isso que contei à vocês), aprendi a valorizar o berço de onde vim. Não é fácil conviver num mundo com tantos extremos, mas quando a gente entende o quê deixa o nosso coração feliz, fica mais fácil.

Abro sorrisos toda vez que chego na casa da minha avó, quando vejo os álbuns de fotos antigas, quando acordo ouvindo as maritacas nas árvores do quintal ou simplesmente quando piso na grama. O meu luxo é tirar finais de semana para ajudar no almoço na casa da vó, reunir a família em dias frios para tomar vinho – aqueles de litrão, feitos por família de amigos de uma cidadezinha próxima, ficar na rede, colher fruta do pé e abraçar aqueles que me fazem bem.

O meu sertão é provavelmente muito mais rico, do quê muitos ricos que conheço na cidade grande e que não valorizam notas de R$ 100,00. Não consigo imaginar mesmo uma vida assim. Sou rica de amor, graças à Deus!

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

Um comentário em “Caipira, sim!

  1. Oi Ju! Gostei do post, me trouxe lembranças muito queridas! A vida passa e o que fica são os momentos! Dividi vários com você e talvez, se eles acontecessem hoje…eu saberia valoriza-los bem mais! Anyway fica aqui o meu carinho e votos de sucesso!Você merece!Quando ambas estivermos com o pezinho na roça….me fala!Vou adorar reve-la!bju

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