CÁPSULAS | A GABRIELA JÁ TÁ PRONTA?

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Leia ouvindo: Silva – A cor é rosa 

Uma voz doce e infantil que ecoa na memória. “A Gabiela (sic) já tá ponta (sic)?”. Não conheço a autora do áudio, mas aquela vozinha doce, infantil e certeira recheou meus sonhos e meus planos. A pequena Mariana tirou palavras da minha boca. A gente sabe que demanda tempo, mas desde aquela chamada de vídeo no grupo da família não consigo pensar em outra coisa.

Me vejo na ponte aérea, me vejo na praia segurando suas mãozinhas em meio ao mar, me vejo no aeroporto para te buscar e apertar contra o peito para matar uma saudade de todas as vidas que vivemos.

Você é minha e eu sou sua. Eu que não te carrego no ventre, mas te carrego na alma, no sangue e nas histórias que devo te contar das travessuras infantis que vivi com sua mãe, das nossas brigas, das nossas emoções, do meu choro descontrolado e de todas as minhas dúvidas hiponcondríacas na madrugada ou durante jantares comemorativos de namoro dos seus pais.

Ao mesmo tempo que já te embalo nos sonhos, sinto uma coisa esquisita, aquela presença que pareceu sempre haver no seio familiar com aquele quê de intruso. Afinal, quem é você que está dentro da barriga da minha irmã? Quem é você que vou dividir meu amor?

imagem: reprodução

Mas sabe, essas dúvidas desapareceram quando te senti mexendo. Quando te vi debaixo da pele daquele corpo tão conhecido.

Minha menininha, é inexplicável te sentir e te ninar sem nem ao menos te ver. Ainda sinto na face as lágrimas de quando descobrimos que já estava na barriga da sua mãe, e de repente, te sinto entre os dedos se mover.
Entre os dedos a energia erradia e sabemos que terá características nossas. Mulheres de força, de fibra e de jeito.

Tudo o que sinto é algo dentro da alma. O ar falta, mas não sinto dor, não sinto medo, não sinto o tempo.

Agora, já vejo suas bochechas rosadas, um que de faces de pais misturadas, um quê de noites sem dormir, um quê de coração fora do peito pelas aventuras que vai viver.

Eu sei contar o tempo, eu sei contar os segundos, mas não sei controlar ansiedade.

Fecho os olhos e já te vejo coms as próprias pernas, menina, criança e mulher. E tudo o que eu quero é poder limpar ruas, florestas, ares, pessoas, só para que possa desfilar na vida e governar teu reino de sonhos sendo sua sudita, sua tia, sua amiga e suas mãos.

Agora eu olho para sua mãe, minha irmã, e só me questiono como Mariana: “A Gabriela já tá pronta?” e sabe por qual motivo? Por saber que já estou pronta, pronta para te amar e pronta para ser sua tia!

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
Luiza Pellicani

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