#capsulas | O RITMO DAS CONVERSAS

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Leia ouvindo: Tulipa Ruiz – Expirou 

A era das conversas rasas baseadas em idas a academia ou os eventos da semana não suprem mais. Talvez seja apenas uma questão de costume exacerbado no convívio intermitente que fez com que esse nível de interesse fosse paulatinamente ficando mais agradáveis.

Estar no meio desse convívio tornou o assunto vagos permissível e próximo do aceitável. O restante da necessidade diária de tópicos mais relacionados a coisas da cultura, da literatura, das artes, etc, eram supridos por livros que ninguém entendiam estar em suas mãos ou assinatura de jornais tidos como exício para a grande maioria daquela roda infindável de amigos de uma noite só e trocas de likes nas redes sociais.

No passar das jornadas e o afastamento daquela jornada, os assuntos e aquele nicho antes tão familiar foram tornando-se cada vez mais redundante. Os encontros cada vez mais distantes e uma sensação de falta de encaixe naquelas reuniões regadas a churrasco, cerveja, cigarro e pouco assunto.

Dali talvez salvava-se um ou dois tópicos e de restante estacionava em outro mundo aleatório para o qual se deixava levar resultando uma presença física e um silêncio aterrador para quem outrora era a mais falante dos grupos.

Mas como falar de mercado financeiro, política, feminismo, quereres de uma vida melhor e mais regrada para aqueles que não se encontram no mesmo ponto direcional que você?

Como encontrar tópicos tão desinteressantes para si mesmo e dialogar com a mesma eloquência de tempos passados. Para o grupo, as explicações ficam sobre a pauta da desilusão amorosa ou uma depressão leve que embala aquele ser de tempos em tempos. Mas não é isso!

É apenas uma mudança de público, talvez de valores e crescimento. Quanto mais a idade chega, mais existe a necessidade de se envolver com grupos que queiram discutir os mesmos tópicos.

Há uma diáspora por aquele que pensa diferente. Sempre haverá mensagens pairando no celular do tipo: “quando realmente quiser sair comigo, me liga!” para seres de metamorfose ambulantes. Aqueles que querem sair, mas já sabem de cor o que vai acontecer e acabam adormecendo no sofá enquanto o outro liga.

O ritmo das conversas vai mudando e embalando novas rotinas e turmas. Quero mais valores, quero mais relevância, quero mais conteúdos diferentes, quero mais pra mim!

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
Luiza Pellicani

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