Carta para Tom Jobim

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por @JulianaManzato

Sabe Tom, desde que você se foi, a bossa ficou velha, a garota de Ipanema perdeu seu doce balanço a caminho do mar. Parece que a mulher, a menina que vem e que passa, com a graça, o encanto e o doce balanço, deram lugar pra correria, o coração de pedra e o pouco jogo de cintura pela vida. É Tom, logo você que entende tanto de mulher, ver isso aí de cima… desanimador.

Além das mulheres, a música também está um caco. Claro, ainda existe música boa, mas Tom… cadê você por aqui pra ensinar a bossa e a poesia para as pessoas? Você faz falta.

Tem outro lance Tom, que eu queria te falar: o fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho? Então, aprendi de uma maneira não muito doce, essa poesia de vida cantada tão lindamente por você. Mas aprendi.

O Corcovado? Ah, o Corcovado… “Da janela vê-se o Corcovado, O Redentor que lindo”, foi por causa de você, só por causa de você, que a minha mãe foi para o Rio de Janeiro tirar um zilhão de fotos do Corcovado. Aliás, tenho que confessar que o meu amor por você começou logo depois que eu nasci. Minhas cantigas de ninar, não eram cantigas de ninar… eram as suas músicas. É muito amor, eu garanto.
A vontade de ter nascido carioca, também foi culpa sua… queria alguém cantarolando ao pé do ouvido “Ela é carioca…”. Não nasci carioca e ninguém cantou a sua música no meu ouvido. Sim, triste eu sei!

Queria ter ido a muitos shows seus, mas Tom, inventaram uma coisa linda de viver, o youtube e isso ajuda num tanto a matar um pouquinho a vontade de ter ido a um show seu. Tem você junto com o Vinicius, com o João (Gilberto), e você com o Sinatra, então? Que coisa linda.
No Rock in Rio desse ano, até Stevie Wonder tocou Garota de Ipanema. E posso falar? Fizemos bonito, um verdade coral cantando em alto e bom tom a sua poesia. Você deve ter ouvido dai, não?

Acho que todo mundo concorda comigo… você era “A” poesia.

Depois de algum tempo descobri que o mundo não sabia do amor até você aparecer, e que bom que você apareceu. Você faz falta e sempre vai fazer! Repito.

Uma das maiores verdades da vida, eu também aprendi com você. É, a tristeza não tem fim, felicidade sim. Concordo, inclusive, que a felicidade é uma coisa louca, mas que coisa louca mais maravilhosa, hein?

Para terminar essa pequena declaração de amor por você, deixo nessa carta o trecho: “Existiria a verdade, verdade que ninguém vê, Se todos fossem no mundo iguais a você…”

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1 Comment

  1. Gabriela Lemos de Castro says

    Nossa! Que carta mais linda. A alam poética de Tom adoraria lê-la. Poesias assim, como a dele, fazem falta nesses dias de palavras tão repetidas que viraram “música”. Ainda bem que nos resta o youtube. 🙂
    Um abraço.

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