Como é que se diz ‘eu te amo’?

Leia ouvindo: Ed Sheeran – Photograph

Vamos partir do pressuposto de que nascemos da batida mais intensa de dois corações e que, portanto, o amor deveria ser tirado de letra! Depois, vamos considerar que a natureza humana, segundo tantos estudiosos, tem como base a relação interpessoal, e mais ainda, o quanto doamos e recebemos do outro! Somos um coquetel molotov de sentimentos e desejos! Aí pergunto a ti o que venho perguntando a mim mesma há muito tempo: COMO É QUE SE DIZ ‘EU TE AMO’?

Que será que aconteceu? Perdemos o talento pra sentir, assim que nos tornamos especialistas em pensar? Só eu acho que pagamos um preço caro demais por toda essa evolução? Eu nem me lembro de ter concordado com essa negociação, quiçá assinado qualquer contrato! Quem foi que decidiu por mim? Algumas pessoas que conheço condenam com veemência a sensibilidade alheia! Dizem o tempo todo que quanto mais se ama, mais frágil se torna! E segundo eles, o mundo de hoje se assemelha a savana africana! Os frágeis acabam na boca dos lobos e leões! De novo, reitero a pergunta: ninguém me perguntou se eu aceitava esses termos e condições! Será que eu cliquei em “sim, aceito” sem ler? Cássia Eller me representa: o mundo está ao contrário e ninguém reparou!

Amar não deveria representar fragilidade! Pelo contrário, hoje em dia deveria ser considerado um ato revolucionário! As pessoas não trazem suas bulas com as contraindicações estampadas em seus rostos! Amar é desejar forte por dias ensolarados ao lado daquele desconhecido que pode, sim, fazer parte do seleto grupo das ‘presas fáceis’, mas que infelizmente também traz consigo outros 50% de chance de ser um leão feroz! Diga se não é arriscado? Soldados em campo de batalha estão mais protegidos que os amantes nos dias de hoje, disso tenho cada vez mais certeza!

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[ Imagem: reprodução ] 

Num domingo qualquer, regando a vida a vinho branco e bate papo honesto, chegamos – eu e uma amiga querida – a seguinte conclusão: estamos na beiradinha extrema do abismo! Não dá pra piorar, já fizemos tudo de ruim que um mundo pode suportar! É preciso acreditar que agora, a tendência é o retrocesso! Não que tenhamos que renegar essa evolução utópica que alcançamos! O que é bom, que permaneça! Mas talvez seja a hora de olhar pra trás e recuperar alguns sagrados costumes de nossos avós! Eles sim, naquele tempo onde um pêlo de bigode valia mais que qualquer assinatura, sabiam os verdadeiros sentidos das palavras amor, lealdade e confiança! Fomos longe demais, chegou a hora de reconhecer o erro! Ainda que trabalhemos com a gana e habilidade do século XXI, sugiro que amemos e nos relacionemos com a honestidade dos anos 30.

Foi amando que avançamos. E é somente amando que conseguiremos salvar o futuro que nos bate à porta. De fato, adotamos a solidão como modelo de vida, mas é só quando a carência dobra a esquina de nossas vidas, que voltamos a valorizar o nobre poder da boa companhia. Não custa caro e nem demanda muito esforço pra cultivar a plantinha do bom relacionamento. Basta não temer ser considerado fraco por uma sociedade doente quando for amor o seu assunto favorito. Não deixemos que atrofie o músculo mais importante de todo o nosso corpo, que bata forte esse nosso coração.

Pode ser que sejamos felizes e amigos para sempre, ou pode ser que as incompatibilidades nos levem por caminhos opostos. Não importa! O que vale é garantir que, enquanto juntos, fomos o universo inteiro um para o outro, transbordando carinho, lealdade, respeito e, principalmente, muito amor. É chegada a hora de economizar água, mas amor jamais! Use sem moderação, ame sem distinção. A vida passa num piscar de olhos, o que levamos conosco é somente a fagulha de sentimentos bons que provocamos naqueles que ficam. Apaixone-se, como se apaixonavam as mocinhas do século passado. Nós não sabemos amar, e é preciso – como se não houvesse amanhã. É só o amor capaz de antecipar primaveras, no inverno de nossos dias.

Mayra_2015

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