convivência boa

Leia ouvindo: Coleman Hell – 2 Heads

Já passa das 2 da manhã e o papo rola solto. Estamos ali de pijama, taça de vinho, petiscos e brigadeiro de panela. Eu e elas. Contando histórias hilárias, época do colégio, baladinhas, final de tarde no clube, os antigos namoradinhos, as dores de amores e todas as lembranças boas que os anos de convivência trazem. E depois de tanto rir, a gente chora. Chora de saudade de uma época que a única correria era se divertir e estudar para provas de biologia ou física.

Aquela época boa não volta mais. Ou até volta, nas lembranças, histórias e cartas, escritas na madrugada, algumas com lágrimas, e outras cheia de códigos que mesmo depois de anos de amizade, já não dá para decifrar. Ex-namorados já casados, uma amiga ou outra com filhos e a gente ali, rindo da vida, tomando vinho, de pijama em plena quarta-feira. Noite das velhas amigas.

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[ Imagem: reprodução ]

Daí a gente lembra da viagem de Porto Seguro, das matinês de Carnaval, dos porres de tequila, das fotos antigas, o Baile do Hawaii e tudo aquilo que aconteceu há pelo menos 15 anos atrás. A gente lembra da vida tranquila da cidade de 40 mil habitantes que um dia já vivemos. Hoje, cada uma está no seu canto, com a sua vida e em cidades diferentes. Bem que minha mãe dizia que a juventude dá saudade. Ok, nenhuma de nós é velha, mas o tempo passou e aquelas coisas bobas e gostosas se perderam. A promessa de ser madrinha de casamento continua, agora a gente tenta adivinhar quem vai casar primeiro.

Depois da alegria do vinho, a gente pensa como vai ser daqui 30 anos. A bunda vai cair, o peito idem, talvez um botox aqui, um retoque ali, mas as taças de vinho, os sorrisos e os pijamas vão estar ali. Não seremos mais amigas de 15 anos, seremos amigas de vida, madrinhas de casamento, “dinda” dos filhos, esposas e, por escolha de vida, irmãs. Uma irmandade absoluta que resiste ao tempo, apesar da sinceridade nua e crua. Poxa, em 30 anos acontece muito mais coisas que rugas no rosto. 30 anos sabendo da vida e das histórias mais cabeludas da vida uma da outra. Serão mais 30 anos de confiança e convivência. Tirando a parte das histórias cabeludas, é praticamente um casamento.

Amizade é casamento, amor, lembrança, saudade, felicidade, união, apoio e tudo de bom. Amizade assim, que a gente divide a sala, taça de vinho e o pijama, é eterna. É amizade de 30, 40 anos que a gente leva pra sempre, com enorme gratidão por ter dividido momentos tão bons da vida. Tipo de coisa que a gente tem que agradecer todos os dias.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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