Crianças prodígio e a infância

por @AninhaRuiz

Durante todo o ano de 2011, diversas notícias sobre crianças prodígio vieram à mídia. Umas que construíram impérios, outras com ideias mirabolantes, teve até mesmo aquela que descobriu uma falha na programação de um dos jogos mais acessados da rede social queridinha do momento mas, durante esse feriado, duas notícias me surpreenderam e, eu diria até, me chocaram.

Primeiro, a notícia de um menino inglês de 8 anos, Harli Jordean, que abriu sua empresa na internet depois de ter suas bolinhas de gude roubadas por “amigos”. Ele lida com fornecedores, atende pedidos e faz entregas no mundo todo, sua demanda é tão grande que já possui empregados e tem como características marcantes a determinação e a ambição. (http://goo.gl/Y5ksS)

Depois, Thomas Suarez, um estudante americano de 12 anos que palestrou no TEDxManhattanBeach mostrando suas criações: dois aplicativos para produtos Apple. Além de falar sobre suas invenções, Thomas deixou claro a todos os expectadores, e posteriormente, a todos aqueles que viram o vídeo de sua apresentação no Youtube, que realmente entende de programação melhor que muito adulto por ai, dizendo que desde o jardim de infância gosta dessa atividade. O menino causou tanto espanto que já está sendo chamado de “O novo Steve Jobs” e eu não duvido que ele realmente possa ter um futuro tão brilhante e inovador como Jobs, visto que tão cedo já está apresentando tamanha notoriedade. (http://goo.gl/Oov8M).

Acho bacana ver crianças que se desenvolvem tão cedo e também pais que incentivam seus filhos quando, ainda pequenos desenvolvem características de gente grande mas, confesso que isso me entristece um pouco.

A vida adulta é tão cheia de compromissos, falta de tempo, problemas para resolvermos… tem coisas boas, claro, mas é literalmente como disse Cazuza: “Dias sim, dias não eu vou sobrevivendo sem um arranhão” afinal, são poucos os dias que passamos ilesos de pequenas catástrofes financeiras e/ou emocionais e/ou profissionais e/ou familiares.

Justamente por isso eu acredito que as crianças devem viver a infância, estudar claro, se possível aproveitar para aprender uma segunda língua ainda cedo e ter algum esporte para praticar e desenvolver suas habilidades: seja ballet, capoeira, futebol, natação ou mesmo judô, mas nunca, nunca deixar de ser criança. “Criança não trabalha, criança dá trabalho!”

A grande preocupação da criança, ao meu ver, deve ser o dever de casa, qual brinquedo levar para a escolinha na sexta-feira, o doce mais gostoso da padaria para devorar depois de encarar a difícil tarefa de comer um prato de arroz, feijão e salada.
Criança deve ter amor, carinho, respeito, confiança, afinidade, caráter, sonhos… e não ambição, visão de mundo, determinação…

Acredito, do fundo do meu coração, que essa época deve ser vivida mais intensamente que qualquer outra e prometo (fica aqui registrado), que se um dia um tiver uma filha (ou filho, claro), além de lhe ensinar valores, mostrar tudo o que puder e ensinar que o amor verdadeiro existe, irei levá-la ao parque sempre que possível, deixá-la correr, ensinar a andar de bicicleta, passar horas sentada no chão colorindo desenhos, ler para ela e adormecer sempre ao seu lado porque acredito sim que a inovação, a tecnologia e o trabalho sejam importantes e no valor que isso deve ter em nossas vidas desde sempre, mas muito mais importante que isso, é saber dar tempo ao tempo, e respeitar essa fase tão linda de nossas vidas. Só assim, ela será livre, na única época da vida em que isso é realmente possível.

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6 comentários em “Crianças prodígio e a infância

  1. Tenho medo dessa geração que não sabe subir numa árvore, nunca quebra um braço, não pode brincar de pique-esconde a noite e coisas do tipo.

  2. Concordo contigo Noris!
    Cadê os joelhos arranhados? Os castelinhos de areia na praça, quando não se tem praia? O medo de escuro e tantas outras pequenas felicidades?

  3. Boa Aninha…
    Tenho orgulho das minhas cicatrizes no joelho, dos dedões do pé ensanguentados depois de uma partida de futebol com os moleques da rua, e fico com sorriso no rosto ao me lembrar de tantas aprontadas infantis, do meu avô soltando o famoso…”tá fazendo arte dona Gisele? ” e sonho, sonho muito em poder ver meu filho fazendo o mesmo e podendo no futuro ficar com essa mesma cara de boba saudosista q tô agora… =)

  4. Oi, Aninha.

    Não tô sumida nada. Sempre , sempre estou atualizada nos post da Dona Onçinha e, diga-se, cada vez melhores, todos vocês!!
    É, você tem razão! Nossas crianças estão corrompidas pela tecnologia, e apesar dessa maturidade fora de época, integração mundial. Essa aceleração toda. Elas parecem cada vez mais solitárias. Outros valores, bem menos graciosos e divertidos. Culpa nossa também, digo, “nossa” simbolizando a culpa dos pais. Como mãe, sei que cobro muito mais dos meus filhos -tenho dois- do que meus pais cobraram de mim. Sim, eu também tinha que tirar boas notas, mais não precisava ser o gênio da escola, eu era o próprio gênio e seus três desejos juntos. É, eles me viam com olhos de pais e, eu bastava exatamente como era -uma brincadeira de criança- Não se comportavam como empresários quando estávamos juntos, portanto, era mais fácil ser só criança.
    Lembro-me com saudades dos joelhos ralados, tive os dois braços quebrados, um pé torcido, e roubei muita fruta nos quintais dos vizinhos. Tive a sorte de crescer numa casa de quintal, muitas árvores, rio por perto e praia logo “alí”. E meus únicos deveres era boas notas, e ser feliz. As responsabílidades e independência eram ensinadas de um outro modo, menos sangue-sugas até. Das surras pelos mal-feitos, aos afagos mais profundos por qualquer motivo, me tornei o que sou hoje. Não me julgo melhor, nem pior. Mas, é muito bom ser muito mais que um prodígio, ser uma pessoa que teve e busca sempre ter alma de criança e, que tem uma roda de amigos prá brincar. É muito melhor que todo o sucesso e dinheiro.
    Tento mostrar pros meus filhos um lado mais ‘livre’ da vida. Mas a tecnologia,a necessidade de sucesso e a maldade alheia, nos torna cada vez mais prisioneiros e impotentes de uma sociedade de valores distorcidos, que mutam nossos genes.

    Adorei seu tema.
    Parabéns!!
    Um beijo. :))

  5. Milaaaa… que delícia de comentário!
    Muito gostoso saber que nos lê… quero muito lhe conhecer, deve ser uma mulher incrível!
    Adoro seus textos, suas visitas e os poucos comentários e/ou tweets que trocamos!
    Um beijo, com bastante carinho! =)

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