Dançar de dois

Poucas coisas são tão gostosas de ser ver quanto quatro pés no mesmo compasso. Poucas foram as vezes que consegui me encaixar em uma dança de dois, talvez por isso admire tanto quem rodopia com outro alguém com tanta naturalidade.

A dança por si só já é algo que encanta. É uma mistura de matemática, ritmo, batidas da música, do coração, e entrega. Muita entrega. Afinal, dançar de dois é  confiar, ainda que seja em um  desconhecido do bar. Quando dois juntam as mãos e o restante do corpo, quase que instantaneamente nasce uma confiança mútua, mesmo que somente pelo tempo que a música durar.

Um se joga nos braços do outro, porque para cair na dança, tem que se deixar levar. Sem medo de pisões no pé! Logo na sequência tem outro passo para fazer do jeito certo.

Aliás, dizem que dançar de dois não tem segredo, é só seguir o “dois pra lá, dois pra cá”. Pode até ser que isso funcione, mas a graça de dançar com par não tem nada a ver com o que já sabemos. Dançar de dois é uma exatidão precisamente calculada, mas sem ser necessário fazer uma conta sequer.

O salão fica pequeno para a sincronia dos movimentos, a plateia bate palmas para os que esquecem que tem mais gente ali além deles. Se a música pede embalo, lá vão dançar como quem quer aproveitar cada minuto da melodia. Se o ritmo é lento, cada pisada no chão tem a intenção revelada com sussurros ao pé do ouvido.

Depois que a banda encerra a canção, cada um pode ir para seu lado buscar outro par pra próxima dança. Mas pode também resolver escolher um único par de pernas para dividir o restante da noite. Da vida.

Na próxima vez que alguém te tirar pra dançar…

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

…Vá dançar de dois.

Nat - Dona Oncinha

 

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