DEPOIS DO CARNAVAL

O “depois do carnaval” chegou, apesar do glitter ainda estar grudado no tecido do sofá. Será que agora o ano começa?

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Leia ouvindo: Silva – A cor é rosa

O “retiro” carnavalesco acabou, ou quase. Hoje é dia útil, mas no final de semana ainda tem bloquinho. O corpo pede um respiro, quer folêgo para continuar. O Carnaval é aquele circo necessário para quem se joga na folia, ou foge dela.

O “depois do carnaval” chegou, apesar do glitter ainda estar grudado no tecido do sofá. Será que agora o ano começa? Mas sem desejar Feliz ano novo, isso eu já acho demais – pelo menos para mim. Essa história do “depois” me toca de alguma maneira, afinal todos nós deixamos algo para depois. Empurrar com a barriga até ver onde vai dar.

O Brasil não tem cultura de planejamento. Não cultiva o pensamento a médio e longo prazo. Temos sede de viver, mas a vida é – também – construir. Nós, brasileiros, temos uma dificuldade imensa de estipular prazos, concluir tarefas, organizar por etapas, pensar na construção de algo. Queremos, mas não sabemos ao certo porquê.

Vivemos a “era do agora” nas redes sociais, já reparou? “Viva o agora”, “Se importe com o agora”, “Cuide do seu agora”, e o que boa parte das pessoas não interpreta é que o agora não é o imediatismo, mas a vulnerabilidade de construir através de escolhas a curto, médio e longo prazo.

Nosso pensamento é programado para o cronograma padrão de vida, com idade e aspirações que foram pré-determinadas. A sociedade não te ensina planejar e executar seus desejos ou vontades, ela te coloca dentro de uma caixa e te deixa lá, porque lá é o certo, lá está o velho padrão de sonhos impostos e seres humanos enlatados.

O “depois do Carnaval” é cultura, assim como o próprio Carnaval. Postergar é permitido, é moderno, faz parte do atual repertório de vida, é padrão, é hype, faz do processo criativo, entre tantas outras coisas. Temos a proeza de criar desculpas para nossas próprias desculpas.

Não é o Carnaval, mas o que você faz antes e depois desse período. Esperar o Carnaval para se permitir é o mesmo que arrastar a semana na torcida pelo final de semana.

O “depois do carnaval” é muito maior do que um simples “depois”. É um mergulho na nossa maneira de encarar a vida longe do calendário de feriados, cronogramas e programações padrões de vida.

Juliana Manzato

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