Descartável

Leia ouvindo: Coldplay – Fix You

Ontem eu tomei um belo tapa na cara. A Ruth é uma das escritoras que eu sempre leio no Estadão. A forma de tratar alguns assuntos me atrai. Escrevemos sobre o mesmo tema, cotidiano. Ruth já escreveu inúmeros textos com uma genialidade que eu gostaria de ter escrito. A reflexão da vez foi essa aqui: A geração que trata tudo como descartável.“. Leiam, vale cada linha.

Fiquei pensando muito nesse texto, nessa palavra “descartável”. Como deixamos a sociedade adoecer nesse tanto? Como chegamos a esse ponto? Não sei ao certo a resposta para essas perguntas, mas a angustia que toma meu peito é enorme. O problema não é só o emprego ou as ideias, são as pessoas. O quanto descartáveis somos? Eu já fui descartada. Já descartei também.

Acontece que vivemos em um mundo onde nada é feito para durar. Absolutamente nada. A troca ganhou status e perdeu valor. O tempo todo somos estimulados a ter algo melhor, sem qualquer consciência se o tal do melhor é realmente melhor para gente. Pode ser para o outro, mas não para mim e vice versa.

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[ Imagem: reprodução ]

Os relacionamentos estão líquidos demais. A gente anda ligando muito o foda-se e esquecendo de tentar, de verdade. Somos intensos na primeira semana e nas seguintes, depois nos perdemos. Nos perdemos porque a lista do que eu não gosto no outro já é maior do que qualquer outra coisa boa que ele (a) tenha. Esperamos um mar de rosas, mas esquecemos dos espinhos. É ridículo.

Se tem uma coisa que me deixa puta é essa história do te quero agora, amanhã não sei. Cara, ninguém sabe sobre o amanhã mas manter relacionamentos em banho maria não me parece uma boa opção. Estou interessado nessa aqui, mas se amanhã encontrar uma opção melhor vou para ela.

Nessa busca por “algo melhor” esbarramos no pior. Ninguém é e nem nunca será perfeito. Graças à Deus, imagina a chatice? Estamos em busca do superficial, do bonito, do aqui e agora, mas esquecemos que acima de toda e qualquer vontade, existe a realidade.

Nos tornamos irresponsáveis com o outro. Foda-se. Uma geração que além de descartável é egoísta.

Todos temos uma parcela de culpa e ultimamente, para o bem do meu próprio coração, ando cortando males pela raiz. Levar qualquer tipo de relação em banho maria não é para mim. Digo relação em todos os sentidos, trabalho, família, amigos e amor. Quando a gente simplesmente empurra com a barriga perde o prazer de viver.

Sem contar que é injusto alimentar qualquer tipo de expectativa no outro quando a gente mesmo nem tem uma própria.  Se eu pudesse pedir qualquer coisa seria para ser mais consciente, pessoas não são descartáveis.

E como bem diz Ruth em seu genial texto, “Com a diferença de que a garrafa será reciclada e nós… Nós deixaremos algumas selfies como legado.”

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

Um comentário em “Descartável

  1. Olá, vi seu Blog hoje pela primeira vez e já sou fã de seus belíssimos textos, espero que continue a escreve-los

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