Desconstruindo padronagens

Leia ouvindo: Empire of the sun – We are The People

Padrões.
Quem foi que acordou um belo dia e achou que seria legal inventar padrões?

Padrões.
Detesto padrões.

Estabelecem margens nas quais devemos estar dentro, o tempo todo. Nos transformam em fantoches de uma gama de comportamentos impossíveis de serem seguidos por tanta gente maravilhosamente diferente, e acabam por engessar iniciativas que poderiam ser as mais espontâneas. Ah… É dessas que eu realmente gosto…

Ser mulher, então, é uma eterna exigência de compostura conforme padrões. “Você tem quer ser magra! Você tem que ser elegante! Não fale palavrões! Fale baixo e suave! Case-se e tenha filhos!” Para, para, para. Desacelera e respira, mundão. Sinto muito em ser a detentora das más notícias, mas desastrada que sou, acabei quebrando até mesmo os paradigmas – e é sempre sem querer.

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Caso exista um conceito de anti-padrão, me apresento aqui como musa inspiradora. Solteira quase que invicta à quase beira dos 30 anos, eu e meus palavrões melodiados por um sotaque carregadamente carioca não cabemos nas calças 38. E não é que eu não quisesse coxas e quadril menos voluptuosos, é que eu simplesmente não sou assim. E, lágrimas de esforços em vão à parte, talvez eu não venha a ser. Talvez eu seja sempre “fora do padrão”. Talvez, um dia, eu goste de ser “fora do padrão”. E, dessa vez não talvez, mas convicta do que sou ou chegarei a ser, padrão nenhum deverá me definir como “fora do padrão”.

Acontece que a gente luta contra aquilo que não queremos lutar, queremos somente não nos deixar regrar. Sermos uniformes dentro de quesitos que nos foram impostos por anos e anos de construção da sociedade: por quê? Pra que? Por quem? Contra nossa própria felicidade, as vezes. Quanta estupidez!

Sobre a obrigação de ser perfeita, declaro que sou peça aleatória no quebra-cabeça. Simplesmente não me encaixo. E é nessas de não se encaixar que aí pelo caminho a gente descobre que, antes no coletivo errado, há sempre algo ou alguém em quem a gente simplesmente encontra o encaixe perfeito. Por sorte, totalmente fora do padrão.

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Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

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