DESCULPE, NÃO SOU MENININHA

Leia ouvindo: Vampire Weekend – A-Punk

O cabelo está sempre perfeito, assim como a maquiagem. O tom de voz suave. A postura ereta e de miss. Essa descrição simplesmente não combina comigo.

A sociedade muda a cada dia a olhos vistos, mas esses requisitos ainda são e parece que sempre serão desejáveis para todas as mulheres. Ou humanos. Não vamos tornar isso só questão de gênero. Temos que estar sempre perfeitos.
Infelizmente, ou felizmente, não me encaixo nesses critérios.

Fotografia: Paulo Manzato Jr.

Sou livre como o vento, assim como meu cabelo, minha pele e meu tom de voz.
Uso salto alto, mas nem sempre.
Uso maquiagem, mas nem sempre.
Tenho tom de voz suave, mas é quase nunca.
Postura ereta, a lordose não deixa.

Mas, a maioria das vezes você me verá descabelada e se tiver sorte ainda me verá sem os sapatos, correndo descalça contra qualquer ato de feminilidade exacerbada.

A sociedade me cobra menininces. As amigas também o cobram.

Talvez eu sente ereta naquele baile de gala chique, mas logo ao sair pode ter certeza que poderei sentar na sarjeta com as pernas cruzadas e sapato do lado.

Pode ser até que aquela maquiagem antes perfeita, seja retirada num rompante de calor onde o corpo necessita de doses cavalares do refrescante poder da água na face.

A leveza da falta de obrigatoriedade que me faz feliz, me arranca os suspiros.
Por isso desculpa, normalmente não sou menininha.

Luiza Pellicani
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Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.

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