DIÁRIO DO FIM DO MUNDO, OU QUASE || OI, TEM MAIS ALGUÉM AÍ?

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Leia ouvindo: Ops, ainda não fiz playlist para o fim do mundo!

Querido diário,

Hoje é dia 27 de março, sexta-feira, 17h12min. Em uma sexta-feira qualquer, nesse mesmo horário, estaria desligando o computador para ir ao Pão de Açúcar fazer compras e finalmente #sextar. Desde o dia 13 de março, eu mal saio da minha casa. Tem mais um monte de gente no mundo todo fazendo isso. O motivo? Um vírus. Invisível aos olhos e perigoso para o pulmão.

Com o passar do tempo te conto os detalhes, por hora quero escrever, escrever e escrever cada vez mais os registros do fim do mundo – ou quase.

Na verdade, todo fim pode ser o começo, assim sendo, espero que a humanidade saia dessa melhor do que entrou. O ego do ser humano foi longe demais. Relativizaram um vírus achando que não era nada demais, só que era. Aqui nas terras tupiniquins, dizem ser só o começo. Sei lá, acho que o fim do mundo começou por aqui antes, outubro de 2018 para ser mais exata. Os canalhas, que já eram muitos, decidiram multiplicar. Seria o efeito manada? Acho melhor voltar para o outro fim.

Março começou e eu nem percebi, fui engolida por uma paralisia estranha. No dia 12 completei 32 voltas ao sol, não consegui comemorar, só agradeci – foi o suficiente. Também em março, a OMS declarou Pandemia. O mundo parou. O Brasil tá um caos. E tem muito mais canalhas querendo ganhar e ter razão.

Pausa.

Já chorei. Já surtei. Já pensei em perder os meus. Já pensei na possibilidade deles me perderem. Já liguei mais de uma vez para a minha mãe no mesmo dia. Já mandei pessoas tomarem no cu. Já pensei na economia. Repensei a vida mais de uma vez. “O inferno são os outros” nunca fez tanto sentido.

Presenciar fatos históricos consome muita energia. To exausta!

Pausa.

O dia parece uma montanha-russa. Meu humor oscila. To super produtiva, mas ao mesmo tempo tudo ta uma merda. Ta uma merda, mas  preciso – e prefiro – ser produtiva. Sai da rede social, voltei para a rede social. Caos. Notícias. Morreu um conhecido do conhecido. Tem outro na UTI. Tenho amiga com suspeita. Conhecida com confirmação.

Respira.

Sou privilegiada, mas e quem não é? O que eu posso fazer? E se a minha empresa quebrar? E se eu não arrumar um emprego? E a comunidade? Se o virus chegar na comunidade quantos vão morrer? E se meus pais morrerem? Meus amigos? Os familiares dos meus amigos?  Puta que pariu.

Respira.

Como pode melhorar isso?

Oi, tem mais alguém ai?

#Tamojunto, tá? Minha mãe disse que vai passar. Mãe nunca erra.

Juliana Manzato
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