DIÁRIO DO FIM DO MUNDO, OU QUASE || SURTEI

S-U-R-T-E-I! Os motivos? Aqueles acumulados.

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Leia ouvindo: Dave Matthews Band – Ants Marching

Querido diário, já estamos em abril!

Do dia 27 até aqui, foi uma bagunça. Uma sensação horrível. Ladeira abaixo. S-U-R-T-E-I! Os motivos? Aqueles acumulados. Os mal resolvidos, passados, já resolvidos, os já resolvidos que eu achei que não estavam tão resolvidos assim. A luz veio com força total para o lado de dentro. Chorei. Chorei muito.

Chorei e decidi que não dava mais para continuar com tudo aquilo acumulado. Se a oportunidade de resolver se apresentava, lá estava eu, revendo e resolvendo. Era a vida me dando todos os tipos de limões, dos podres aos bons, para fazer a minha limonada. Só eu poderia escolher como seria o resultado final.

Abracei tudo aquilo que se apresentava. Senti tudo que podia. Chorei mais um pouco.

Sempre preferi sentir muito, até a última gota. Assim, pude me despir do acúmulo e seguir em paz. Sem peso, sem pensamento, sem achar qualquer coisa. Eu tinha me encontrado, mesmo com tudo meio bagunçado. Finalmente consegui escolher os melhores limões.

Chorei de novo, agora de alívio.

Se muitos não estão mais aguentando a quarentena, digo com total certeza que vejo nesse período a esperança de maneira única. O mundo parou e a pergunta que fiz insistentes vezes foi: “o que mais se requer aqui?”

Tudo aquilo que a minha intuição trazia, eu aceitava. O mundo pediu para respirar, respirei junto. Antes de encontrar respostas, fiz questão de rever as perguntas.

Assim como escrevi outras vezes, não são as respostas, mas as perguntas. Eis a maior lição da primeira fase da quarentena até aqui.

Juliana Manzato
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