Do armário

Leia ouvindo: Arctic Monkeys – Do I Wanna Know?

Eu falo palavrão. Eu falo muito palavrão, porra. Eu tomo cerveja. Eu gosto pra cacete de tomar cerveja. Eu ouço samba, funk e sertanejo. Eu uso roupa curta. Não tenho um deus. Tenho todos. Não vou à igreja todo domingo. Na verdade, eu não vou há muitos domingos. Mas eu rezo. Rezo e tenho fé. A minha fé. Falo alto, normalmente e mudo de ideia normalmente também. Não pareço uma boa companhia, certo? Mas sou. Alguns não concordam. Sem problemas. Tudo bem pra mim. Demorei para assumir todos esses meus jeitos. Mas antes tarde do que nunca. E não tem coisa melhor do que a gente se assumir. Nosso conjunto todo, com as partes tortas também. Não sou perfeita, graças a Deus. Imagine a chatice.

Não vivo de forma saudável. Até tento. Mas não vivo de clorofila. Nem faço fotossíntese. Como carne e acho gostoso. Como salada também. E acho gostoso. Como doce. Muitos e não dispenso as frituras dos botecos. Ah, esqueci. Eu gosto de botecos também. Lugar mal frequentado, né? Não para mim. Eu faço exercício. Não amo, mas faço. Ouço tanto que faz bem pra saúde, que não custa fazer um sacrifício, certo? Assim, tomo cerveja com a consciência tranquila. Tenho duas tatuagens no corpo e a terceira em mente.

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E foi preciso cair na vida, sozinha, para me conhecer de verdade. Para saber do que eu gosto ou não. Do que me faz bem ou não. Do que me faz sorrir ou não. E é nessa hora da vida, em que nos encontramos com nós mesmos, que nos descobrimos como um ser único nesse mundão. Como indivíduo que não é filho de fulano, nem namorado de ciclano, nem bisneto de beltrano. Somos Maria, José, João. E só. Somos aquele que não sai de noite e não bebe, somos aquele que cai na gandaia e não vê o dia clarear, somos aquele que não come cebola.

E quando nosso eu não cumpre certos modos e costumes, aí fica mais difícil se assumir. Porque o olhar torto tá ali. Te vigiando. Te condenando. Achando lamentável uma menina tão bonita falando tantos palavrões e tomando cerveja como homem. Melhor tirar meus filhos de perto. Não é bom exemplo. Eu sou assim, paciência. E o bom da gente ser de verdade é que quem está perto, e que quer ficar perto, também é e está de verdade. Porque gosta. Porque entende e aceita.

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admin

Um comentário em “Do armário

  1. Você disse tudo no texto!!! Somos o que somos e nos descobrimos no momento mais solitário possível. E isso nos faz mais forte, mais donos de nós mesmos, mais compreensíveis, mais nós! E as pessoas nos gostam por causa disso (e não pelos olhos azuis que (no caso, não) temos).

    E quem não fala palavrão?! Naquela hora em que bate o mindinho na cadeira ou quando lhe fecham no trânsito! Só a mãe da gente, que deve amaldiçoar de outra maneira… hahahaha

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