É março e eu pedi um amor, afinal…

Leia ouvindo: Big Fox – Girls

Fechei um ciclo. Pedi licença às velhas manias descabidas e dei as mãos ao destino novamente. Baixei a guarda, como dizem por aí. Escutei fogos de artifícios com o coração e deixei que as lágrimas rolassem na minha face. Lavei a alma, no fundo do poço, e ressurgi. Leve, agora. Em paz com a vida. Escutei os sinos anunciarem um novo tempo, enfim.

Pela primeira vez na vida, pedi um amor. Não um amor que me fizesse entrar num redemoinho de sentimentos, como da última vez. Não um amor que me ensinasse a competir. Pedi um amor calmo. Sereno. Seguro de si e seguro de mim.

Pedi um amor. Alguém que fizesse questão de me esperar na estrada da vida, ainda que o meu coração, deveras ressentido, insistisse em caminhar a pouco mais de oitenta quilômetros por hora. Pedi alguém que compreendesse, na prática, o significado das palavras reciprocidade e paciência, ingredientes tão desconhecidos e ignorados, até então, por mim.

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[ Imagem: reprodução ] 

Pedi um amor, sim. Alguém que não se importasse com os meus planos profissionais, e que não desse a menor importância às minhas redes sociais. Alguém que percebesse que estar junto é questão de escolha e merecimento, e que eu não tenho mesmo vocação para joguinhos baratos, textos sensatos e sentimentos rasos.

É março e eu pedi um amor. Alguém que me ache bonita sem salto e sem maquiagem, e que diga baixinho que acha sexy o meu cabelo sempre tão bagunçado. Alguém que segure a minha mão no cinema ainda que o filme não seja nada romântico. Alguém que eu possa enviar áudios com a minha louca e rouca voz de sono, sem a menor vergonha, só pra dizer que acordei morrendo de saudades.

Pedi um amor, e pediria mil vezes, agora. Eu não me importo mais em parecer sentimental demais. Não me estranho mais sendo infantil demais. Pedi um amor que me permita ser eu e pronto. Simples. Alguém que me leve para ver o mar durante a noite, e me faça ver milhares de estrelas durante o dia! É março e eu pedi um amor, afinal! Um amor que me permita, enfim, não pensar no final!

Manu Berbert

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Manu Berbert

Baiana. Tom de voz alto, personalidade forte e palavras firmes. Observadora do mundo, das pessoas e dos seus comportamentos. Os olhos apontados para tudo, mas o dedo geralmente apontado para si mesmo.

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