É OK NÃO ESTAR OK

Leia ouvindo: Play & Pause: Love – Claire De Lune

Quando me sentei para escrever sobre o novo normal, fui atropelada por emoções. Não posso fingir que sei o que o futuro nos reserva, nem que à beira da incerteza eu não sinto uma certa vertigem. Porque a verdade, nua e crua, é que como qualquer ser humano com a mínima sensibilidade, estou lidando com a luz e a sombra diariamente.

Nas últimas semanas, batendo a meta dos três meses de isolamento, precisei me recolher. O inverno chegou lá fora e aqui dentro também. A única coisa que consegui fazer foi escutá-lo e acolhê-lo.

Fotografia: Juliana Martins

Estamos vivendo um momento único da nossa História, individual e coletiva. A toda a hora somos assolados por um turbilhão de emoções, pensamentos, tensões e pressões, que nos tiram da nossa zona de conforto. Não é fácil. Dói e cansa, eu sei.

Não bastasse tudo isso, sinto ainda que existe um bullying virtual rolando solto. A “polícia” do #fiqueemcasa, que julga qualquer saída considerada fora do script como diabólica ou as vozes motivacionais irrealistas que nos fazem crer que a quarentena tem que ser produtiva e temos que terminar o isolamento falando mais uma língua, com três cursos finalizados e uma rotina de meditação e de skincare perfeitas. Mas a realidade não é essa.

Respire fundo. As coisas não precisam ser assim e está tudo bem.

Talvez seja um alívio ler o texto de uma Health Coach Holística, que na teoria tem as melhores ferramentas para lidar com desafios, dizendo que este é um momento demasiado delicado para todos e que não existe ninguém à prova de bala.

E sendo assim, a única coisa que sei que é imperativo fazermos neste tempo de incerteza, é cuidar de nós mesmos. Nos escutarmos, com atenção, mais do que nunca.

Se você está tendo um dia improdutivo e pode adiar o trabalho, adie. Se você não quer fazer call com os amigos, não faça. Se você não precisa sair, mas está surtando em casa, saia com cuidado, nem que seja para tomar sol na cara por breves minutos. Seja amoroso com você mesmo. Se respeite e entenda os seus limites.

Li estes dias uma matéria da BBC onde psicólogos afirmavam que a quarentena é o maior experimento psicológico da História. Sou obrigada a concordar, porque me toca na pele. Ninguém será igual depois disto. É simplesmente impossível.

O novo normal será a soma do que cada um viveu, cresceu, deixou morrer e viu nascer.

Talvez o novo normal possa ser melhor do que aquilo que existia. Eu francamente não sei, mas torço por essa mudança.

Até lá, sem saber nada de futurologia, a única coisa que sei dizer, para mim e para você que me lê, é que é OK não estar OK.

Ju Martins
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Ju Martins

Portuguesa que o Brasil conquistou. Jornalista de formação e Health Coach Holística por opção. Navego pelo mar da saúde e bem-estar, procurando ajudar pessoas a encontrarem a sua melhor versão. Pisciana com Vênus em Peixes, que intensidade pouca é bobagem, não é mesmo? Se quiser ganhar minha atenção fale do Cosmos, do esotérico e de espiritualidade. Ou então, vá pelo caminho mais fácil: memes e GIFs divertidos também me ganham fácil.

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