E se a vida fosse mais simples?


Quer saber? Estou com saudade das coisas simples. Acordar, tomar um café preto com pão na chapa em uma padaria e que nessa padaria eu não precise saber o código do que vou pedir. E que também não tenha que carregar retângulos de plástico para marcar nada. Um papelzinho basta.


Estou sentindo falta de ir à um bar em um final de tarde e não precisar pagar para entrar. Bar é pra entrar, sentar e beber. Se for com cotovelos no balcão, tanto melhor. Se tiver uma boa conversa para temperar a cerveja, é o melhor dos mundos.


E por falar em mundo, ele está muito complicado, tudo está muito complexo. Onde estão as coisas simples? Em diversos bares de Joaquim Egídio (distrito de Campinas), paga-se caro para ser simples – um dos maiores paradoxos que já vi. Pagar caro para poder sentir o prazer de se sentar em caixotes de laranja junto ao meio fio e beber cerveja descompromissadamente, sem pressa pra ir embora. Paga-se caro pra ter a chance de sentar-se à beira de um rio pra comer peixe frito com as mãos e tomar cachaça em doses. Na mais pura simplicidade.


Em Campinas foi implantada uma ciclovia com 18 km e, em toda sua extensão, são colocados cerca de 2.700 cones e mais de 400 cavaletes para delimitar a faixa exclusiva. A cada domingo ou feriado, são mobilizados mais e 70 agentes de trânsito e 25 guardas municipais. Tudo isso para bicicletas, o mais básico e simples meio de locomoção já inventado pelo homem e que mobiliza um exército de pessoal e material a cada manhã.


Nas manhãs ensolaradas e convidativas ao ócio, é fácil encontrar pessoas vestidas como se fossem para uma balada. Saltos altos em ambientes rústicos, cabelos de chapinha em feiras livres, vestidos com brilhos nas tardes de shopping. Onde ficou a simplicidade, o conforto, a praticidade? Homens, idem. Nos dias quentes, desperdiçam a liberdade dentro de calças coladas na bunda, sapatênis (a primeira trombeta do apocalipse) e Hollister (a nova Hering), no lugar de chinelos, bermudas e camisetas.


Nos relacionamentos, joguetes tomaram lugar do papo aberto, tudo é um constante jogo de “quem vai cair primeiro”. As mulheres não procuram mais um homem, elas procuram uma atração diária. Hoje deve ser um jantar, amanhã flores, depois de amanhã, um presente, depois um mimo, depois, depois, depois… Sempre condicionado à “se”. Se fizer isso, acontece aquilo, se acontecer aquele outro, então faz-se isso. Tudo muito complexo, tudo muito trabalhoso. Que falta faz um casal disposto a se amar, conversar e, simplesmente, viver. Sem fórmulas mágicas, sem “os 10 segredos do amor” ou “20 razões para se casar” e tampouco as “200 maneiras de enlouquecer um homem na cama”, quando tudo o que ele quer é apenas uma maneira, a maneira da mulher que ele ama.


Quando torna-se complexo fazer o simples, algo está errado. Podemos até insistir na ideia, mas a lógica é implacável: Simples não é simplista e não é simplório. É simples.

Últimos posts por admin (exibir todos)

admin

3 comentários em “E se a vida fosse mais simples?

  1. Também tô sentindo falta da simplicidade. Até ficar doente antigamente era mais simples.

    Sempre penso na quantidade de coisas boas que a modernidade nos trouxe, mas num geral, tá deixando muito a desejar nas coisas simples. Nego entendeu que tudo agora tem que ser elaborado, quando tinha que ter entendido que era pra simplificar.

    Complicou.

  2. #Nostalgia

    1) Padaria da esquina de casa anotava os valores em papéis de embalagem de cigarro picotado em quadradinhos.
    2) Essa história de cobrar entrada tbém não me desce.
    3) Procuro simplicidade em algumas cidades da região ou bem longe mesmo, eu quero mais é um armário cheio de havaianas…
    4) Chapinhas, brilhos nas roupas ou nos lábios em pleno sol de meio dia p comer pasterrr na feira….nãooooooooo
    5) Sobre um relacionamento com simplicidade e sinceridade, esse assunto é longo, mas ainda bem q pra mim é simples! Esse é nosso lema… =)

    Parabéns…gostei muito…

  3. Fiquei feliz com seu comentário Gi. Na busca da sofisticação, esquecemos o que realmente é essencial para sermos felizes. Nem ao céu, nem ao inferno, existe o momento e taças de cristal e momentos de copos plásticos. O problema é que nós (sim, todos) esquecemos como triar um e outro… Obrigado Gi.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Voltar ao topo