E se assumirmos que temos uma relação ruim?

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Todo mundo quer um amor que dure para sempre. Obvio que eu também queria isso, acredito que você também. Mas amor não existe para durar, amor existe pra gente se sentir mais vivo. Mais vivo. O verbo viver aparece por aqui o tempo todo. Não sei mais se vivemos pelo prazer que o amor nos dá em estarmos vivos ou simplesmente porque queremos que ele dure.

Não quero um amor duradouro, quero um amor que me viva. Um amor que me tire da zona de conforto e não que me coloque em uma cheio de confronto. Um amor que queira coisas diferentes das minhas, mas que tenha um monte de querer como o meu. Um amor que me deixe livre para voltar. Um amor que eu possa chamar de lar e esteja em um abraço. Um amor que abafe meu egoísmo e aumente a minha entrega. Um amor que seja alimentado todos os dias para ai sim, crescer, florescer, dar frutos, espalhar sementes, permanecer.

Não temos uma relação assim. Nunca tivemos na verdade. Estar sentada na sua frente decidindo que rumo essa relação vai tomar, é como estar a beira de um abismo gritando para você ali do outro lado. É ruído, conexão errada. Você não deveria estar do outro lado, ao meu lado é o seu lugar.

E se assumirmos que temos uma relação ruim?

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[ Imagem: reprodução ] 

Sim, ela é ruim. Sejamos sinceros, poxa vida! Eu te amo, mas não te amo o suficiente para seguir com essa relação ruim. E é ruim porque tem pitadas de egoísmo, misturado aquela solidão à dois, o silêncio irritante durante o jantar – típico daqueles casais que já estão sem assunto, a falta de liberdade por conta de uma insegurança nascida de não sei onde, a falta de sorriso, de tato, de abraço. Falta de tudo que uma relação precisa, mesmo existindo amor. Um amor louco que insiste em abraçar o apego e bater um papo com a comodidade. Amor é para tirar a gente do eixo, revirar tudo e ainda assim trazer paz.

Não quero uma relação que dure pela comodidade, quero um amor que faça a relação durar porque ela cresce todo dia. Porque além dela, eu também cresço, me torno melhor, mais consciente da felicidade alheia e não apenas própria.

Nessa altura da vida, não quero seguir em frente com aquilo que não me faz bem. O amor também machuca e é por isso que ele implora: vai viver! Quando o amor machuca ele só quer que você se cure de todos aqueles males. A cura é a procura. A procura é ir atrás daquilo que está ruim. O que está ruim melhora.

A vida sempre melhora. Relações ruins, quase sempre. Não se acostume com elas. Não se acomode nelas. Não continue por elas. Faça o que tiver que ser feito por você. Apenas você.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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