E vai tão linda a bailarina…

Por Bianca Ferreira

Um barulho conhecido, perturbador. O maestro despertador dá o tom para o balé começar.

O primeiro movimento da longa coreografia do dia é ensaiado ao acordar e se levantar. Um cambré para trás, dois para os lados. Corpo alongado, preparado para o aquecimento. A bailarina toma um banho, se penteia e porta o coque repuxado bem no alto de sua cabeça, passa cremes nos pés, usa maquiagens no rosto. Há de se ter capricho nesse grande espetáculo.

De um pas de bourée entre o banheiro e o armário, surge o figurino magistral. O collant aqui é representado pelo lindo e bem passado terninho. O tchu-tchu, a saia da bailarina, dá passagem para uma incrível saia lápis, elegante e imponente. A meia calça é condição sine qua non para um figurino completo. E o toque final? O sapato de salto, que com a mesma desenvoltura e credibilidade da sapatilha de pontas, eleva a bailarina ao nível de excelência que faz o público respeitar e aplaudir.

Na transição entre a coxia de sua casa e o palco do escritório, a bailarina realiza tantos changements de pieds que se torna impossível contar tantos pulos na corrida entre ônibus, metrôs e calçadas intermináveis desse trajeto. A rotina desse espetáculo nunca é das mais simples.

Mas, ah… Quanto gracejo tem nos movimentos da bailarina, quanta delicadeza até nas rupturas da rotina dançada, quando a dançarina para e se reabastece de energia para o próximo ato. A cada pirueta executada em um dos afazeres da coreografia do seu dia, o suspiro de um público encantado na graciosa brisa de uma grande artista.

Com o que será que sonha a bailarina? Será que, no fundo de seus desejos mais íntimos, ela quer passar o dia todo em um grand pas de deux com o primeiro bailarino, arrancando todo o figurino e dançando atrás das cortinas, sem que ninguém os assista? Ou, muito menos, queria apenas que a coreografia do seu escritório fosse uma demi routine e pudesse passar o resto do espetáculo dançando livre, do jeito que quisesse?

Mas para um público apaixonado não importa de que jeito o espetáculo termine, se vai ser com um discreto battement debaixo do edredon ou se vai ser com um grandioso arabesque sob o foco de uma grande festa: o mundo gosta mesmo é de ver a bailarina dançar.

  Feliz dia das mulheres para todas as bailarinas do grande espetáculo da vida.
Últimos posts por admin (exibir todos)

admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Voltar ao topo