ELA É INQUIETA

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Leia ouvindo: Arum Rae – Should I Lyrics

Paciência é uma virtude que aos poucos vamos aprendendo ter. Com o passar dos anos assimilamos melhor a ação do tempo em outras pessoas, em nós mesmos e situações diversas.

O tempo pacientemente nos molda para o melhor que podemos ser.

Crescemos e criamos entendimento de como a vida pode ser melhor de determinada perspectiva. Mudamos – diariamente, e deixamos para trás pequenas ou grandes coisas que já não servem mais. Pode ser uma blusa da coleção passada, uma resposta atravessada, uma amizade que já não era nada, uma relação atrapalhada. Todos os dias renovamos células, respiramos ar novo, vivemos tudo pela primeira vez.

A paciência nos mostra como somos sagrados, e também mundanos. Moldamos, e mudamos, medos e móveis de lugar. A paciência não é a paz de espírito, mas a inquietude de viver tudo como se fosse a primeira vez. Quando entendemos a porta que essa pequenina chave abre, ampliamos nossos horizontes e próprio mundo.

Percebemos que a paciência é a presença em sua magnitude, é a inquietação de saber que aquele segundo não volta mais, e por mais que toda poesia diga isso de alguma forma, insistimos em conectar com as dores de um mundo. Aquelas dores velhas conhecidas, medo, raiva, escassez, nós, eles.

Mais um pouco de paciência. É preciso conviver com a ignorância alheia com a clareza de quem busca a luz. A inquietude de ter tanta coisa para viver que não dá tempo de brigar por um simples ponto de vista, por uma ideologia ou ainda seguir a ferro e fogo o que é certo ou errado, bom e mal.

Paciência. Paciência para entender que o espírito não escolhe a paz, mas a evolução. Com o passar dos anos fico com a certeza que assim como o medo, a paz foi inventada para servir como utopia, a tal busca incansável.

A evolução não dói, ela é inquieta, é também paciente. É quando tiver que ser, é quando a gente entende a porta que precisa abrir. É com jeito e também com certa inocência. É com paciência.

Lembre-se: o que você era ontem, não define quem você será amanhã – a não ser que você continue repetindo os mesmo erros e abraçando uma ignorância que não te pertence.

Juliana Manzato
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