Ela já não gosta mais de mim!

Leia ouvindo: Oscar – Breaking My Phone

Meu celular vibrou, chegava uma mensagem de texto. Em meio às tribulações daquela tarde, parei para conferir o recado e tomar um café. “Ela já não gosta mais de mim”, era o que dizia a mensagem. O remetente era um grande amigo de infância, que acabara de viver um término de relacionamento e estava – aparentemente até aquele momento – tentando convencer a amada a voltar para os seus braços.

Acontece que eu acompanhei bem de perto a história que os dois viveram. Meu amigo, um típico bon vivant dos dias atuais, jamais esteve pronto pra assumir um relacionamento sério. Era fato que ele tinha se apaixonado pela garota, mas desde sempre os maiores esforços eram dela. Ele não é um rapaz ruim, muito longe disso. Superinteligente, bom filho, traz no peito um coração do tamanho do universo, tem a calma ao falar, o cuidado pra compreender quem estiver ao seu lado. Mas se rendeu ao mundo. Sim, isso mesmo! Foi corrompido pela canalhice masculina, esse vírus que parece ter atingido boa parte da população de homens e rapazes nascidos nos últimos – sei lá – 60 anos.

Meu amigo, no auge de sua juventude, quis provar os prazeres que a facilidade lhe entregava de bandeja. Quantas foram as noites de baladas às escondidas, de flertes soltos pelo ar, – ainda que, segundo ele, sem maldade. Quantas vezes ele fugiu do assunto quando ela planejava o futuro, quanta dúvida ele plantou naquele coração! Quantas vezes era mais fácil deixar os fios a solta do que transformá-los em laço, quantas vezes ele acreditou que somente a paixão seria o suficiente.

Mayra

[ Imagem: reprodução ] 

Não foi! Ela se cansou. Foi buscar alguém que pudesse lhe fornecer mais segurança e comprometimento emocional. Não eram mais crianças, os planos batiam à porta e o medo que ele sentia de seguir caminho, o fez ficar na estrada. Talvez, como forma de se imunizar contra esse vírus que confunde os moços de nossa geração, a mulherada aprendeu a artimanha de não mais depender de ninguém pra ser feliz. E ela, a namorada, foi em busca do que lhe fazia sorrir de verdade. Quem é que quer pouco nessa vida, se fomos feitos pra sermos muito felizes?

Quando ele caiu em si, já era tarde demais. Ela já havia seguido viagem e ele ficou no porto, como excesso de bagagem. Volto a repetir, meu amigo é um cara muito bacana mesmo, pode acreditar em mim. Mas a vida tem disso, não tem jeito. Se a gente não fica atento, se não cuida direitinho do que caminha conosco, vai aprender a sentir saudade do que não valorizou. Ele estava aprendendo o que seria, talvez, uma das maiores lições da vida dele. Eu respondi a mensagem, ainda usando todo o meu carinho pra não machucar ainda mais aquele coração amigo que sofria do amor que ele mesmo matou: ‘é, meu nêgo, ela realmente não gosta mais de você! Mas olha que bacana, ela está te ensinando que o amor que ela sente por si própria basta. Ela não precisa das migalhas do cotidiano. Faz um favor pra nós dois? Devolve pro seu rosto aquele sorriso que ilumina os nossos caminhos e aprende isso também. Da próxima vez, lembra de regar todos os dias a flor do sentimento! A vida não cansa de nos dar novas chances’.

O amigo ainda vai derramar muitas lágrimas de saudade até compreender que a colheita de amanhã é dependente do nosso plantio de hoje. Somos responsáveis por quem cativamos, já dizia o poeta. Ela não gosta mais dele, mas gosta muito dela! Na balança das prioridades, sabemos bem quem ganha na vida das mulheres modernas. E para vocês, meninos que trazem ao seus lados outras garotas que ainda gostam bastante de vocês, aprendam de uma vez por todas: o vírus tem cura e não precisa ser assim, pela dor. Ninguém merece dividir a vida com um coração vacilante. Coragem! A vida é muito mais do que uma noitada e as novas edições de mulheres do mundo estão prontíssimas pra fazer do preto e branco, um colorido impressionante. Vai vir ou vai esperar a sua vez de ficar pelo caminho?

Mayra_2015

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