ELE NÃO TE ASSUMIU?

Assumir uma relação está entre aqueles valores inegociáveis. É responsabilidade entre os dois, um contrato de 50/50, uma conversa que envolve não só o “vem comigo”, mas o importante plural “vamos juntos”.

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Acredite, é só uma pergunta. Não tem aquele tom meio inconformado, sabe? “Como assim?”, “Não acredito!”, “Ele não poderia fazer isso”. É uma pergunta sincera de quem não te conhece, mas te oferece aqui alguns parágrafos de acolhida. Muito provavelmente você deve achar que existe algo de errado com você, e bem, existe – precisamos falar sobre isso.

Nós, mulheres, crescemos em uma sociedade opressora, fundada em padrões que, até então, deveriam ser seguidos se quiséssemos alcançar a “felicidade”. Padrões esses, que aguçaram buscas utópicas de perfeição, e por consequência, erros.

Durante muito tempo, passamos a buscar tudo aquilo de errado que existe em nós, sem ao menos questionar se era, ou, existia algo errado. Com o olhar “errado”, fomos incentivadas a ir para o mundo, comprando sonhos e conquistas que na maioria das vezes, não eram nossos, tampouco cabiam na nossa vida (lembre-se dos padrões!).

O “errado” sempre foi muito forte. Tão forte, que fez morada no nosso inconsciente trazendo consigo a busca incansável por relacionamentos amorosos que de alguma maneira reforçam o que há de “errado” em nós. São relações que apresentam faltas, incômodos e uma estranha calmaria. Mesmo com sinais de estranheza, continuamos. Insistimos de todas as maneiras, inclusive anulando valores antes inegociáveis.

Insistimos acreditando que não é falta, tão pouco incomodo, vivemos com o frio na espinha constante e a pergunta que parece não calar: ele vai assumir o que nós temos?

“Ele”. Existe uma única coisa errada em você, a projeção nELE.

Assumir uma relação está entre aqueles valores inegociáveis. É responsabilidade entre os dois, um contrato de 50/50, uma conversa que envolve não só o “vem comigo”, mas o importante plural “vamos juntos”.

Longe do romantismo, assumir uma relação exige racionalidade. Amor para durar é equação, contrato e administração diária de expectativas. Nada exato ou cheio de fórmulas, mas equidade, no amor, é imprescindível.

“Ele não te assumiu?” É uma mistura entre altas doses de expectativas com falta de diálogo, é, antes mesmo de ser relação, a falta de amor próprio de um, ou dos dois. É desigualdade antes de ser equidade. São migalhas emocionais que um dá e outro recebe.

Você pensa: “Está bom assim. O amor é assim mesmo, sofrido, cheio de incertezas e com um bocado de dúvidas”.É sempre melhor ter uma relação assim do que não ter (contém ironia).

“Mas ele me apresentou para a familia”, “Mas ele curtia minhas fotos, deixava comentários, interagia com meus stories”, “Mas ele me apresentou para alguns amigos”, “Mas eu criei um vinculo com a mãe dele”, ele, sempre ele. Obviamente que se o homem alimenta qualquer tipo de expectativa de relacionamento com você é um filho da puta, sem qualquer tipo de negociação, mas e você? Qual é a responsabilidade que tem pelas próprias expectativas?

O que tanto falta em VOCÊ para se apegar a migalhas emocionais de uma relação que, bem, nunca foi uma relação assumida. Se você assumiu uma relação sozinha, a responsabilidade é sua.

Em qualquer sinal de falta de comprometimento no acordo feito por vocês, vá embora! De preferência sem olhar para trás.

Não insista em quem, no momento, só pode oferecer migalhas. Não insista em quem não te assuma de verdade. Não insista em simbolismos digitais, tão pouco em demonstrações presenciais que não se sustentam. Você não precisa implorar para alguém te assumir, tão pouco se sentir obrigada em assumir algo que se quer criou base.

Por pura carência nos apegamos a miudezas cotidianas que não criam expansão, nem suprem expectativas. Nós apegamos por achar que o amor mora na insistência, na ousadia de abrir mão e negociar o que sempre foi inegociável.

Se ele não te assumiu, pegue seu amor próprio e vá embora. Quem realmente quer, vai junto. Aliás, é o famoso “vamos juntos?!”.

Juliana Manzato
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