Em quartos separados

Já tentei explicar mais de mil vezes que dormir separados não tem problema nenhum. Que faz parte da vida. Que meus pais e avós fazem isso há muito tempo, pois o barulho de um incomoda o sono do outro. E, pelo bem da relação, optaram por dois quartos, duas camas, duas noites. E eu não vejo falta de amor ou falta de companheirismo nisso. Vejo apenas sonos bem dormidos e dias bem humorados. Mas ele não entende. Não admite tamanho absurdo. Diz que a melhor coisa de estar casado é poder dormir e acordar com quem a gente ama. Sentir o cheiro e a pele.

Eu preciso de silêncio e de escuro pra dormir. Ele só precisa de sono. Eu acordo fácil, ele dorme feito uma pedra. Por isso defendo o quarto separado em caso de desentendimento noturno. Mas só quarto separado. Nada além disso. O resto continua junto, grudado, como sempre. Mas ele não aceita. Não quer. Vai entender esses homens.

O fato é que além de escuro e silêncio, preciso conversar antes de dormir. É uma mania minha fazer uma retrospectiva do dia com quem está ao meu lado e depois passar uma rápida agenda do dia seguinte. Sei lá, é mania. E mania não se discute. Antes, as conversas eram com minha irmã. Fazia a coitada ouvir toda minha ladainha, enquanto ela caia de sono na cama ao lado. Toda noite,  dividíamos as alegrias e tristezas de um dia de trabalho, de encontros e desencontros.

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Hoje as conversas são com ele. Que, quando muito cansado, dorme enquanto eu tagarelo antes de pegar no meu sono. Mas que me escuta na maioria das vezes e que dá altas risadas das coisas que acontecem por aqui e das nossas próprias piadas bobas. E quando sinto que é hora de dormir, a gente se despede com um beijo de boa noite e um: se precisar de alguma coisa, me chama.

E é isso que ele diz que a gente não pode perder. Que é valioso e único. É nosso momento e que quer que seja assim até ficarmos bem velhinhos. Ele tem razão. Não há coisa melhor no mundo que dividir coisas corriqueiras, carinhos singelos e sorrisos sinceros com alguém. E se isso tudo for antes de dormir, melhor ainda. O dia seguinte será certamente mais feliz.

É claro que o fato do barulho incomodar não é regra, muito menos exceção e vai variar de casal para casal. Mas, para mim, mais do que dividir a mesma cama, o mesmo quarto, o que vale mesmo é dividir a mesma vida. O mesmo abraço, as mesmas risadas e o mesmo companheirismo que extrapolam qualquer metro quadrado. E de preferência que seja uma vida inteira. E não falo só de tempo não, mas também de ser inteira para o outro. Sem máscaras, sem dedos, sem maquiagens.

Assinatura Lívia

A Lívia também tem um blog, o Em cima do Muro. 😉

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admin

2 comentários em “Em quartos separados

  1. Olá Lívia, acabo de conhecer seu blog através do pausa para feminices, e o primeiro texto que li me identifiquei totalmente porque meu marido e eu somos assim também 😉
    Seu blog já ganhou meu coração e já está na minha lista de blogs preferidos. Um lindo texto e que mostra que não é dormir na mesma cama que importa, existem muito mais coisas além disso “a mesma vida, o mesmo abraço, as mesmas risadas e o mesmo companheirismo que extrapolam qualquer metro quadrado…”. Um beijo!

    1. Olá, Ana Paula!! Obrigada pelo carinho e por comentar meu texto “Em quartos separados”, mas eu sou uma colaboradora desse espaço lindão aqui. O blog é da Juliana Manzato! 🙂 Obrigada mais uma vez! Beijos

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