ENCONTRO COM AS AMIGAS

Leia ouvindo: The Notorious B.I.G – Just Playing 

Um dia de reuniões, os pés doloridos comprimidos pelo salto alto que dão um aspecto mais respeitável. Uma saia lápis e um croped que tornam minha moldura um pouco mais agradável. O lápis no olho. A base e o pó retocados insistentemente durante o dia.

Corre para um lado, corre para o outro. Eventos de beleza, de viagens, de noivas. Um possível novo cliente. Uma entrevista mal sucedida. Várias ligações de cobranças sem resolução.

Mensagens ao celular daquele que vai e volta como se fosse maré em época de lua cheia. Grupos de whats app de trabalho, de amigos, festas, parcerias. Mensagens do cara da sexta, do ano passado, dos Estado Unidos, São Paulo, Minas. Pequenos sorrisos. Convites para um drink.
Mas entre todas, uma que se destaca. 20 horas na casa da Ariane.

Aproveite que está aqui leve roupa.

Já estava na rua, estava no salto, o tempo talvez não seria suficiente. A pessoa estava sem carro. Mas quer saber. Joguei tudo pra cima e fui.
A roupa para atividade física não era a minha, foi emprestada. Tênis, nem preciso, vai descalça mesmo. Entre um toque e outro, uma manchete e outra os músculos foram acordados, os ossos estralando. O riso saiu frouxo.

Fotografia: Juliana Manzato

O papo fluindo entre um ponto e outro na quadra. Risos. Quais contas eu tinha que pagar mesmo? O que eu tinha que falar com aquele cliente? O que eu tinha combinado nas mensagens com os rapazes? Onde estava meu celular? Nem lembrava mais.

E o vôlei, as amigas queridas reunidas, as novidades dos últimos dias compartilhadas foram desanuviando a minha alma cansada e quase sem forças para mais nada. A energia foi voltando como um celular plugado na tomada.

Nada mais importava, nem mais os pés descalços doloridos por estarem desacostumados ao contato do concreto de uma quadra de vôlei.
Sim, eu troquei o salto alto pelos pés descalços, a escova incrível no cabelo pelo embaraço da atividade, a roupa justa e alinhada pela a de outro alguém e sim, essa espontaneidade deixou o meu dia e a minha vida ainda mais incrível.

Luiza Pellicani
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Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.

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