ENSAIOS SOBRE A LIBERDADE

Catarse, do grego Kátharsis, significa purificação, alívio da alma. A liberdade, pelo menos para mim, é catarse diária.

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Leia ouvindo: Beyoncé – Otherside

“Já é agosto”, sussurrei baixinho riscando do calendário os últimos dias de julho.

Essa é a primeira “carta aberta” que demorou para sair, já perdi a contas de quantas vezes reescrevi. Três meses atrás, fechando temáticas do trimestre em plena pandemia, enxerguei no mês de agosto uma possibilidade de início.

Um novo e vigoroso ciclo estava por vir. Já saída do casulo, a borboleta se depara com a liberdade. “E agora, é bater as asas e voar? Para onde? Como vai ser aqui fora?”. Talvez a borboleta não seja tão racional como eu e você. Se no mês passado o Cotidiano trouxe questionamentos sobre a diretriz que vamos dar para nossa vida a partir de agora, em agosto senti necessidade de trazer a liberdade como pilar principal.

Ensaios sobre a liberdade será a matriz desse mês.

Catarse, do grego Kátharsis, significa purificação, alívio da alma. A liberdade, pelo menos para mim, é catarse diária. Em “Ensaios sobre a liberdade” abracei a vulnerabilidade e me debrucei em ideias duais, que causam incômodo, mas também libertam.

Arte: @morysetta

Existe beleza em tempos de filtro no instagram? Liberdade é se amar além dos filtros. Estamos desconstruindo padrões e trazendo assuntos indigestos para o jantar. Tudo bem, tudo bem, catarse é assim mesmo.

A liberdade empodera e precisamos falar sobre isso abertamente. Relacionamento aberto, Poliamor e monogâmica. Será? Penso, logo… questiono. Que raios ta acontecendo comigo? Liberdade exige coragem e… responsabilidade. Quando falamos em viver o AGORA, não é sair por ai precipitando as coisas, viu? Ensaiamos sobre a liberdade mas nos prendemos a migalhas emocionais, já reparou?

Nunca se falou tanto em vulnerabilidade, e nunca foi tão difícil viver a partir de dela. Em “A coragem de ser imperfeito”, Brené Brown (te amo, fia!), derrama suas bençãos sobre a vulnerabilidade e traz acalento para dias ruins. Como bem escreveu, Brené…

“A vulnerabilidade se baseia na reciprocidade e requer confiança e limites. Não é superexposição, não é catarse, não é se desnudar indiscriminadamente. Vulnerabilidade tem a ver com compartilhar nossos sentimentos e nossas experiências com pessoas que conquistaram o direito de conhecê-lo. Estar vulnerável e aberto passa pela reciprocidade e é parte integrante do processo de construção da confiança.”

Nunca estivemos tão confusos, e tão próximos da nossa verdade. Em tempos de Pandemia, nunca valorizamos tanto a nossa liberdade no mundo lá fora e ao mesmo tempo, nunca repensamos tudo que se passa aqui dentro.

Estamos prontas, vamos? O vôo é lindo, bata as asas.

Estamos juntas.

Com amor,

Ju

Juliana Manzato
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