Entre surpresas e atitudes

Leia ouvindo: Alesso – Heroes

O frio na barriga não acontece mais como antes. Ninguém parece ser bom o suficiente para ocupar o lado vazio da cama em dias comuns. O papo é interessante até a divergência de opiniões. O desinteresse aparece depois de algumas semanas de convívio intenso via redes sociais. Parece até arrogância ou exigência barata, mas não é. É realmente difícil entrar aquela agulha perdida no meio da multidão.

Esse texto não é sobre pessoas perfeitas, muito pelo contrário, fala de pessoas reais. Que passam pelas mesmas dificuldades. Homens e mulheres que não conseguem mais mergulhar fundo e correr risco de faltar o ar, coisa que só o amor faz. Poderíamos ser mais corajosos, mas como ser assim em mundo onde o orgulho e o egoísmo estão acima de tudo? Todo mundo diz que a piscina é uma delícia, mas não falam detalhes como a temperatura da água, profundidade e principalmente se o outro também tem coragem de pular junto com você e descobrirem (juntos) qualé que é da piscina.

Pular sozinho e descobrir tudo sozinho não é uma surpresa, é cotidiano. Surpresa seria se o outro fosse lá de mão dada pular na tal piscina. Surpresa maior seria uma relação honesta e transparente, sem precisar do apoio de redes sociais como muletas emocionais. A vida é aquilo que está na sua frente enquanto você fica no celular. É fácil olhar a piscina e dizer que ela está ótima, tirando fotos, sem sequer ter molhado o dedinho do pé. Palmas para a hipocrisia.

Surfacing

[ Imagem: Skyler Greene ] 

Palmas também para a falta de atitude. Porque é ali, na hora de dar a mão, que a gente percebe quem vale ou não alguma coisa. Injusto, eu sei, mas pense pelo lado positivo: você vai poder desvendar a piscina sozinha, sem se preocupar se tem mais alguém para se afogar ou se salvar.

Me assusta, e muito, o rumo dos relacionamentos. A profunda ou rasa geração que dá valor ao amor até a página dois. Que se acostumou a trocar de relacionamento como quem troca de roupa. Não me assustam mais as surpresas, o que eu morro de medo são das certezas. Todas as vezes que a certeza esteve aqui, ele veio carregada de um certo grau de decepção. Ela não era tão certa assim. A outra pessoa sumir não é o problema, o problema é ela aparecer todo santo dia e me fazer acreditar que aquilo é o certo e depois jurar de pés juntos que a errada era eu por acreditar. Confuso, eu sei, também adoraria me achar no meio dessa bagunça.

Gostaria que toda surpresa viesse junto com um frio na espinha, sem qualquer tipo de desconfiança. Um pé atrás é pouco, vamos logo com os dois. O mesmo acontece com as atitudes. Engana-se aquele que acha que uma ligação ou whatsapp no dia seguinte  seja o suficiente. Meu amor, isso é o básico! Ninguém entende que é realmente difícil fazer mergulho em meio metro d’água. E assim continuamos, cada vez mais rasos, cada vez menos surpresos e menos corajosos em tomar atitudes.

Nessas horas, eu adoraria voltar aos meus 6 anos e me lembrar da sensação de real coragem: quando eu saí da piscina das crianças e pulei sem boia na piscina grande. Desespero para os meus pais e ponto para a minha coragem. Talvez seja isso, desapegar das boias e abraçar a coragem. Não se surpreender com as surpresas do caminho e encarar a verdade. E não por menos, não esperar atitudes que estejam só de passagem.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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