Entrega

Leia ouvindo: Benjamin Francis Leftwich – Shine (Kygo Remix)

O amor deve mesmo ser aquela linha tênue entre expectativa x realidade. Aquela em que a gente cria mundos imaginários que são facilmente destruídos em doses homeopáticas de realidade. Dolorosas doses, claro. Tudo isso para mostrar que amar é bom, mas misturar amor, orgulho, mundos imaginários, sonhos e realidade é terrível. Haja gelo e vodka para encarar o mix.

É tolo pedir para alguém não criar expectativa quando se trata de amor. Mais tolo ainda é esperar do outro algo que muitas vezes nós mesmos não entregamos. Nos tornamos mais duros e exigentes diante de tantas facilidades da vida mundana. Amar deixou de ser entrega para virar disputa. Uma disputa sem vergonha para ver quem atinge mais o outro dentro do relacionamento. Pau, pau. Pedra, pedra.

Nos protegemos fazendo discurso de amor próprio, mas esquecemos que amar o outro é também se entregar de maneira verdadeira. Amor próprio beira orgulho próprio. Um perigo para o amor. Enquanto o amor abraça sem motivo, o orgulho vira as costas por motivo pequeno qualquer. Já que ele não ligou, eu não vou ligar. Já que ela não respondeu minha mensagem na hora, vou demorar para responder. Esquecemos de facilitar a entrega do amor. Batemos a porta na cara de pequenos e importantes gestos, mas exigimos grandes declarações. Que seja eterno enquanto dure, e problema nenhum se você quiser que dure para sempre. O problema é banalizar essa duração pensando no término. Colocamos um ponto final antes de dar respiro com virgulas.

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[ Imagem: reprodução ] 

Quando alguém está afim de verdade desacreditamos. Quando alguém está para passar o tempo alimentamos expectativa. Não dá para cortar aquele da expectativa e tentar com aquele que demonstra respeito e tentativas reais por você? Para o amor vingar é necessário um tanto de generosidade e outro tanto de dedicação. Se as expectativas não batem, é burrice insistir. Mas, se existe a vontade de estar junto… fique, de coração aberto. Por que amor próprio é também amar com um propósito. Se o chumbo for trocado, amor furado, corações machucados. Alguém tem que ter a generosidade de ceder, o outro de entender, e vice-versa.

No amor – aquele real –  não existe espaço para o orgulho, disputa de poder ou passar tempo. É preciso entender as próprias escolhas, ser generoso com quem temos ao lado e principalmente, fazer a parte que nos cabe, que é justamente aquela entrega sincera. Isso não vai criar uma bolha e te proteger da mágoa, das lágrimas ou daquela sensação horrorosa de ter perdido tempo. Fazer a sua parte vai te fazer dormir tranquila por ter feito uma entrega sincera e generosa ao outro.

Ser generoso não quer dizer ser bobo. Amor próprio é diferente de orgulho. Na disputa entre espadas alguém sempre sai ferido. Amor não é viver em pé de guerra. Baixar a guarda é diferente de estar à disposição do outro. E finalmente, quando receber um carinho, retribua. Mais importante do que falar tanto sobre amor, é fazer a sua parte nele.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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