ESCAPES | PETAR

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Leia ouvindo: Generationals – Would You Want Me

No último ano, tive a oportunidade de conhecer vários lugares inspiradores pelo Brasil. Depois de cada experiência vivida, vinha um pensamento que me incomodava bastante: como que os próprios brasileiros não conhecem esse lugar?

Quando compartilhei no meu instagram (@jujumanzato) a viagem que fiz para o Petar, me assustei com a quantidade de comentários e mensagens que recebi perguntando informações sobre.

[ Se você nunca ouviu falar do Petar, sugiro um google. Vá direto para as imagens. Volte para esse post. ]

Tá vendo? Como você não sabia que esse lugar existia? Você pode não ser amante de espeleologia, mas se gosta de natureza selvagem, aventura e experiências únicas, vai se apaixonar pelo Petar.

O PETARParque Estadual Turístico do Alto Ribeira, fica no sul do Estado de São Paulo, entre as cidades de Apiaí e Iporanga. Anota ai que a lista é grande, tá? São mais de 350 cavernas, apesar de apenas 12 estarem abertas para visitação. Dezenas de cachoeiras, trilhas, comunidades tradicionais e quilombolas, sítios arqueológicos, paleontológico e, é a maior porção de Mata Atlântica preservada do Brasil (!), com 35 mil hectares.

O destino ganhou visibilidade na década de 90, considerado um dos lugares mais legais para a prática de esportes de aventura como rapel, bóia cross, cascading, bike, trekking e claro, atividades de educação ambiental, espeleologia, fotografia e o observação da natureza, como birdwatching, crescente no país, e observação de primatas.

Você pode encontrar mais informações nesse site aqui.

A viagem para o PETAR aconteceu no último feriado de 7 de setembro, e foi organizada e monitorada pela RocTrip, do guia e entusiasta, Edu Bettin. Como era final de inverno, peguei dias frios que não animavam muito para banho de rio, cachoeira ou bóia-cross. Fica a dica: vá no verão e aproveite muito esse “PETAR” além das famosas cavernas.

Um outro ponto, já que acabei falando da RocTrip, é que em viagens de aventura e ambientes extremos, sempre opto por fechar com alguma agência. Como são viagens que exigem alguns detalhes técnicos, como equipamento de segurança, clima, trilhas longas e exposição em ambientes não muito amigáveis, eu me sinto mais segura em contratar um serviço que me dê respaldo. E isso, não é jabá para a RocTrip, não! Assim como não é jabá indicar o pessoal do Bicho Grilo, empresa do Renato, Tati e Neto, guias super experientes que guiaram o meu grupo pelo PETAR. Serviço bem prestado tem que ser compartilhado 😉

Visitar o PETAR foi fantástico em vários sentidos. Primeiro e não menos importante, eu fui sozinha (!), só conhecia o Edu (guia), e vou dizer que não me arrependo nem um pouco disso. Faria tudo de novo! O meu grupo, além de muito animado, tinha pessoas muito especiais, dos mais diversos perfis. Foi nessa viagem que eu conheci a Ju, minha xará e companheira de fundão. Sempre éramos as últimas na trilha! A Ju, depois dessa viagem, se tornou uma das minhas grandes amigas e presente de 2018. (O universo não falha, nénão?).

Além de conhecer pessoas novas, tive a oportunidade de conhecer um cantinho do Brasil com natureza preservada, e que incontáveis vezes me remeteu a filmes como Jurassic Park e Avatar. A natureza é tão rica e generosa, que desenhou o Petar com tanto carinho que muitas vezes não dava nem para acreditar que era Brasil.



A última e não menos importante constatação: agora eu sei como um TATU se sente! Experiência em passagens bem apertadas para chegar a salões imensos, o verdadeiro breu, o silêncio. É realmente fantástico sentir nossos instintos mais primitivos à flor da pele.

A grandiosidade do PETAR é inegável! Você traz para vida um novo sentido e perspectiva. Percebe que é minúsculo diante da natureza e principalmente, quando é colocado em um ambiente tão extremo e hostil, sabe exatamente o que fazer. Seus instintos mais primitivos são aflorados e o que antes poderia te apavorar, te traz para o momento presente, com o doce sabor de aprendizado.

Uma das experiências mais marcantes para mim foi a Caverna Santana. Sua beleza é incontestável, mas logo no início da visitação eu travei. Era como se não conseguisse mais respirar. Cada vez mais estava longe da luz vinda do lado de fora, cada vez mais adentrava ao breu. Entrei em pânico e nessa hora, a Ju, percebendo o que estava acontecendo, me acalmou e me lembrou de uma coisa tão importante: respirar!

Tal episódio me remeteu ao meu dia a dia. Quantas e quantas vezes me afasto da luz e do que eu entendo por sanidade para adentrar no furacão chamado rotina, cobranças, dinheiro, projetos e problemas? Com respiração mais ofegante e nó na garganta, desligo o piloto automático e simplesmente respiro. Devagar e com calma.

Pensei em desistir da visitação. Pensei em voltar e esperar o grupo do lado de fora, tomando chimarrão. Mas ai eu iria perder a oportunidade de observar formações naturais milenares, que já estavam ali antes mesmo dos dinossauros. Iria perder a zoeira do grupo, as fotos incríveis do Edu, as passagens de tatu do Neto, o papo com a Tati, a calcita brilhante na saída da caverna e a gratidão por ter vivenciado isso e outras tantas histórias ali.

Tá com medo? Respira e vai.

Obrigada Petar, você foi incrível!

E essa jaca na cabeça? Hahaha
Pérolas da espeleologia
@columbiabrasil sempre! 🙂





Fotografia | Juliana Manzato, Rafael Baptistella | Eduardo Bettin

Dicas úteis: Agência RocTrip | Guias: Bicho Grilo Petar | Hospedagem: Rancho Hanna e Pousada das Cavernas | Ao final de cada passeio não deixe de comer o pastel e tomar um cerveja na rua principal | Ah! Vai logo conhecer o Petar, é incrível!

Juliana Manzato

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras.Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Faz da vida poesia e textos. Muitos textos!Sonhos? Vive deles
Juliana Manzato

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