ESPECTADORA DA VIDA

0

Leia ouvindo: Liniker e os Caramelos – Sem nome, mas com endereço

Amar é um sentimento nada sofrido, mas a trajetória até ele pode ser uma das coisas mais – difíceis e – bonitas da vida. O caminho pode ser leve, ou dos mais duros até o encontro, mas não tenha dúvidas, são nas histórias mais felizes que entendemos os passarinhos que voltam ao ninho da forma mais suave, e que há sim casais feito Pinguins, que depois que se conhecem, não se desgrudam jamais.

Quantas histórias de amor – sejam nos livros ou reais – nos tiraram suspiros, choro, querer dançar e até mesmo a atenção plena, como crianças sentadas no chão atentas ao enredo de uma grande história.

Eu sou encantada com histórias de amor e dessa vez, quero contar uma mais que especial: a história de um amor que terminou em casamento. Uma das coisas mais pré-históricas da rotina humana, mas que sempre me faz debulhar em lágrimas das mais infantis, com suspiros e muita secreção.

Quando ela entrou, toda de branco, sorriso na face e claramente demonstrando todo seu nervosismo e ansiedade através de um pequeno visgo de lágrimas em cachoeira, nos encontramos em um olhar de conforto. Era uma alma abraçando a outra, era o olhar de duas irmãs cruzando.

Fotografia: Ancelmo Rezende

Quando ela disse sim, me lembrei das tantas coisas que aconteceram e também em outras que poderiam ter acontecido.

O tão falado amor, crescia em Sergipe, enquanto ela crescia no interior de São Paulo.

Quantos desencontros cabem em uma vida?

Um primeiro encontro poderia ter acontecido em Campinas (SP), mas quis o destino que ela se mantivesse em Ribeirão Preto estudando, enquanto ele estudava em Campinas. Poderiam ter se encontrado em São Paulo outras tantas vezes, mas o amor acontece quando ele quer. E sem qualquer controle ou expectativa, ela, uma pirata, e ele, um jovem Pai de Santo se encontraram, se amaram, se emaranharam em Sergipe, em uma festa à fantasia.

Quantos encontros e histórias cabem em uma vida?

02 de março de 2019. O dia do sim. O novo começo, ainda mais juntos, ainda mais preparados para os segredos de amor que ainda serão compartilhados.

Enquanto eu assistia a cerimônia, pedia em silêncio para o cosmo que aquele amor, destinado a nascer, acontecer e ser, continuasse ainda mais sólido e inspirador.

Tem sido cada vez mais difícil competir com essas histórias de amor real. A troca de olhares compartilhados como se nada estivesse acontecendo ao redor, enquanto ali mesmo, existia um mar de gente, e sorrisos, e abraços, e energia.

Respiro fundo, seguro as lágrimas. Imagino o que Jane Austen diria nesse último capítulo de livro, o suspense do futuro.

Desfruto dessa história de amor que não é totalmente minha, mas é de um pedaço da minha alma. O sorriso dela é o meu sorriso, a felicidade dela é a minha felicidade.

Eu sempre pensei que a unidade familiar lá de casa, 1, 2, 3 e 4, era o meu número infinito da felicidade.

Cada qual com sua soma e seu brilho único, num combo de amor encaminhado pelo cosmo para vida dos meus pais e para a minha.

Como é bom ter irmão. Como é bom transformar cunhados em irmãos de escolha.

Como é bom ter pedaços de alma espalhados, e tão unidos. Como é bom compartilhar uma vida com aqueles que vieram da mesma semente.

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
Luiza Pellicani

Últimos posts por Luiza Pellicani (exibir todos)

You might also like More from author

Leave A Reply

Your email address will not be published.