Espelho meu | Da naturalidade transgressora

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Leia ouvindo: Flawless – Beyoncé

Cara lavada e cabelo molhado viraram notícia!

Semanas atrás, quando a atriz Juliana Paes postou uma foto no Instagram sem maquiagem e com o cabelo natural, foi um bafão. Mas isso não é coisa nova: pouco antes, a cantora Alicia Keys ganhou as manchetes por aparecer no VMA de cara lavada e coque aparentemente feito em casa. E a galera se chocou ao saber que a Kylie Jenner tem sardas.

Nenhuma de nós escapa ao julgamento da cara lavada e do cabelo molhado. A gente se preocupa em passar um corretivo para esconder as olheiras, uma camada de rímel para levantar o olhar e um pouquinho de blush para dar um ar saudável como premissa básica para sair de casa. Sair de cabelo molhado, então, só se for para ir até a padaria aproveitando o ventinho como secador natural. E olha que não tem nenhum paparazzi nos esperando na esquina!

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[ Imagem: reprodução ]

Nossas mães e avós nos dizem desde sempre para sairmos de casa “apresentáveis” porque nunca sabemos o que pode acontecer ou quem podemos encontrar. Perdemos, com isso, a possibilidade de o acaso nos pegar ao natural e a bolsa vai pesando à medida em que nos precavemos de eventuais surpresas com mais e mais itens na nécessaire.

E eu fico aqui me questionando quando foi que a naturalidade passou a ser um ato transgressor e até quando o natural vai desempenhar esse papel assustador de chocar e virar notícia, enquanto a maquiagem e os penteados tornaram-se a coisa mais comum do mundo.

Chega a ser uma antítese, quando se tem cada vez menos tempo, dedicarmos tanta energia a rituais meramente plásticos para nos apresentarmos aos outros, quando na verdade tudo o que a gente quer é tirar a remela dos olhos, calçar as havaianas e sair para comprar um pão.

Essa que vos escreve também não se isenta dessa culpa, não! Um corretivo, um rímel e um batom sempre caem bem por aqui.

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