Esquentou? É sexo mesmo, amor é outra coisa.

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Então vamos festejar: o CONAR rejeitou por unanimidade o pedido de suspensão do comercial da Gisele Bündchen, aquele que ela “ensina” a maneira correta de dar uma má notícia ao marido.
Tristes tempos em que uma mulher se insinuar para o marido, pode ser entendido como desvalorização da mulher. E o pior: a ambientação do comercial, sugere que isso acontece DENTRO DE CASA, ou seja, se minha capacidade de entendimento ainda está funcionando, passou a ser mentira que vale tudo entre quatro paredes… Até a mulher seduzir o marido. Se existe alguém com capacidade de julgar ofensivo o roteiro do comercial, é de se imaginar que, realmente, no (in) consciente coletivo, a rotina no casamento seja um item de série. Toda a estripulia e acrobacias sexuais do namoro acabam após o “sim e até que a morte os separe”? Aquele lance de morde aqui, põe a boca ali e descobrir que chantili tem melhor uso na pele, do que no sorvete, ficaram apenas na época do namoro? É pra assumir que o sexo, com desfiles de lingeries diferentes a cada transa, foi esfriando até virar um burocrático papai-e-mamãe após a novela? Ah, novela das 8, porque O Astro, é muito pesado pra um casal assistir.

Desde quando foi decretado que a mulher, ao se casar, deve virar uma santa?

Seria essa a ideia, a de remeter à esposa devotada e mãe de família? Cadê a dama na sociedade e a puta na cama? Soou machista? Pode até ser, mas 99% das discussões dissipariam com uma boa noitada de sexo regada a champanhe e morangos. E não estou jogando o fardo pra mulher, muito ao contrário. Cadê o homem pra proporcionar esse ambiente? Cadê uma lingerie de presente? Cadê uma viagem surpresa pra um final de semana trancafiados no quarto? Cadê o telefonema no meio da tarde pra falar o que pretende fazer com ela ao chegar em casa? Existe uma piada de que mulher é fogão à lenha e homem é fogão a gás: a mulher, se quiser comer à noite, tem que começar a acender logo pela manhã, já o homem, triscou, está aceso. Será? Pelas conversas que “escuto” pelas redes sociais, a moral dos descendentes de Hermes, não anda lá essas coisas não… É um tal de “falta homem no mercado”, “conhece todos os movimentos e ações do Fifa 2011, mas não têm a mínima ideia de como usar seus joysticks pra levar uma mulher ao orgasmo” e até mesmo “toda noite vai pra cama com o note ou smartphone”… Vocês estão fazendo isso errado.

Talvez seja por isso que o comercial com Gisele Bündchen tenha sido tão “ofensivo”. Pode ser que ele tenha nos despertado pra triste realidade de que achamos mais divertido cutucar no Facebook, do que dar aquela encoxada nas mulheres no fogão. Já existem pesquisas e estudos de que homens e mulheres que se ajudam nas tarefas domésticas têm uma vida sexual mais ativa e intensa. Então, o que falta pra começar a farra? Um desfile de lingerie? Ótimo, vamos às compras. Homem, supreenda! Mulher, ouse. E use. De preferência, nada.

E se por um lado, uma das lições aprendidas com Gisele é que as mulheres devem, SIM, ser insinuantes, gostosas e sedutoras, por outro lado, ele também mostra o quanto chegamos no fundo do poço, em que é preciso um comercial pra ensinar que lugar de homem e mulher é na cama fazendo sexo. Ou no chão. Ou na cozinha. Ou na sala. Ou onde mais a sua imaginação enxergar e sua moralidade deixar. E torço pra que ela deixe em muitos lugares.

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8 Comments

  1. Dona Oncinha says

    Rubão,

    Que bela analise sobre o texto. Chegamos realmente ao fundo do posso e ainda precisamos aprender a ser homens e mulheres em comerciais de TV. Inacreditável!
    Parabéns 🙂

    Beijos

  2. Rafael Noris says

    Olha, não achei o comercial machista, só ruim mesmo. Mas ele conseguiu te inspirar esse texto maravilhoso e iluminador, então tá valendo!

    Eu ainda vou pra cama com o smartphone, desculpa, e fico jogando Paciência até pegar no sono. Desculpa².

    Abração, véi!

  3. Rubens Gualdieri says

    Rafa: você é um ordinário. Desculpa. Mas é ordinário que estimo muito. Desculpa². Só vai com smartphone porque tá solteiro, seu cachorro. Desculpa³.

  4. Dona Oncinha says

    (Poço e não posso- vergonha do meu erro de português!)

  5. Anonymous says

    olha eu concordo quando eu cheguei em cs minha sogra veio me falar desse tal comercial falando reclamando essas coisas …
    sabe eu tb nao achei nada d+ o comercial mais minha sogra disse q é uma ofensa que a mulher nao precisa por calcinha e sutiã para falar mpar ao marido q fez merda tipo torro o cartao … olhando e analisando o lado das VELHAS com pensamentos nao antigos mais q se acham superiores aos outros tudo bem … mais quando disse qu enao achava nada demias ela fico horrorizada nosso me olho e ainda falou onde vai parar esses jovens sendo e ela e uma mae nova … sabe oq eu acho essas mulher que sao RICAS e sao mal casadas e nao largam por causa do dinheiro e que se sentem ofendidas que alem de nao se cuidarem acham o mundo todo tb tem q ficar feia e aturar um casamento ruim

  6. Bianca says

    Eu só não gostei do comercial porque senti uma inveja terrível do corpo de Gisele Bundchen, principalmente ao lembrar que ela já é mãe.

    A hipótese de tirar o comercial foi um dos capítulos mais ridículos que presenciei na sociedade moderna. Me leva a crer que essas mulheres estão com falta de COURO dentro de casa!!!

    Abaixo o moralismo. Vamos fazer mais sexo, minha gente!

  7. Rubens Gualdieri says

    Quanto a inveja do corpo da Gisele, é fácil Bianca: Acorde de madrugada faça um desjejum equilibrado rico em carboidratos pra aguentar a maratona de exercícios gerais, localizados e espalhados, mais Kung Fu e Ioga, volte para uma sessão de massagens modeladoras, parta para o preparo da pele com produtos tonificantes e, por fim, coma folhas de alface, peixes e 255 litros de água. Ah, você não tem esse tempo pois precisa trabalhar e viver? Que pena… Ou quer que eu desenho Bi?

  8. Anonymous says

    Sou da ideia que o homem deve conquistar a mulher durante todos os dias em que eles estão juntos, pois somente assim estarão renovando a paixão do começo do relacionamento e nunca perdendo o fogo.. Costumo dizer à minha noiva que o “arroz com feijão” é ótimo, prato de todo dia, mas vai por algo a mais, um tempero diferente e verás que nunca enjoará do “arroz com feijão”.. Já dizia o ditado, ‘para bom entendedor, meia palavra basta.’.

    Att.: J. Hardy..

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