EU VOU TE FAZER MULHER

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Leia ouvindo: Mc Tha – Rito de Passá

Quando nasci, não sabia meu gênero. Sabia apenas que era amada pelos meus pais e que tinha dois outros seres que dividiam a atenção com eles. Com o tempo, fui me descobrindo fêmea. Reparando que uns se vestiam assim, outros assado.

Fui crescendo e ao mesmo tempo descobrindo que ser mulher era difícil, sempre sendo cobrada por comportamentos “mais” femininos: “Não grite tanto”, “futebol na rua não é coisa de mocinha”, “olha sua roupa toda suja, comporte-se como uma menina”, entre tantas outras falas limitantes.

Fotografia: Juliana Manzato

E assim foi! Entre as descobertas, vi que minha espontaneidade era cortada por outras mulheres e homens. Principalmente fora de casa, ali dentro tudo era diferente. Apoio incondicional dos meus pais, auxiliando no desenvolvimento da personalidade com base na estruturação da sociedade civil.

Foi assim que cheguei até aqui. Ainda em desenvolvimento, descobrindo a minha própria voz – todos os dias. A minha postura ainda rende comentários que, sutilmente, desvio. Talvez o que incomode tanto seja a forma do meu respirar, ou seria meu espirro?

Não sei mensurar, talvez por ser péssima em contas e péssima em seguir receitas e moldes prontos. Fato é, descobri a minha voz e a minha personalidade. O restante do mundo deveria entender que minha simpatia não é um convite à minha cama, o meu sorriso ao encontrar alguém não é um convite à minha cama, eu aceitar uma cerveja com você, definitivamente, não é um convite à minha cama.

E mais importante que tudo isso, é que eu tenho personalidade para dizer que não gostei na cara de quem entende errado. O problema que a pessoa tem comigo, é só dela.

Ninguém pode me fazer mulher, só eu mesma!

Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.
Luiza Pellicani

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