Ficou tudo fora do lugar

Você pode me contar uma história romântica? Acho que não. Romantismo não é a praia da nossa geração afinal, somos colecionadores de conquistas. Conquistas baratas impulsionadas pelo físico malhado ou pela bunda bonita. Ah, também tem as fotos do instagram, as frases feitas do facebook, o intelectual movido pelas manifestações – como ele/ela sabem de política não é mesmo?

Conquista barata é fácil, correr atrás daquilo que se realmente quer é um processo um pouco mais lento e difícil, onde a maioria abandona as chuteiras no meio do caminho. Palmas para a comodidade! Tão mais fácil ficar aqui do quê se esforçar para chegar ate lá. O lá é mais bonito, mas eu prefiro ficar aqui, é mais fácil.

Se a conquista é assim, vocês imaginem o amor meus caros!

O amor é uma mentira, que a nossa vaidade quer. Amor hoje, é pura vaidade, ego e sabe lá Deus mais o quê. Consegue explicar o amor? Me conte, por favor! “Te ver não é mais tão bacana, quanto a semana passada”. Cazuza não sabia, mas meio que sem querer, fez o hino de uma geração que pratica a invenção do amor todo-santo-dia. Que ama e desama. Pega, mas não desapega, Curte e “descurte” com a mesma facilidade de trocar roupa.

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O nosso amor a gente inventa e tenta, e tenta, e tenta. Se duvidar, tenta mais uma vez, porque afinal, quem está satisfeito? Quem tem paciência com o outro? “Você nem arrumou a cama, parece que fugiu de casa”. Ah, Cazuza, você bem sabia, somos feitos de fugas! Fugas que vão do além ate as colinas mais próximas. Somos os sem destinos mais perdidos do planeta. Tudo está fora do lugar, o café não tem mais açucar e desce com o gosto amargo, quando não é trocado pela vodka. A dança, não precisa mais de par, ela é tão solitária e vazia que se você visse, não iria entender, muito menos ia precisar fazer canções como aquela, “eu preciso dizer que te amo”. Ne verdade, ninguém dança, não ninguém precisa, ninguém ama. Todo mundo bebe.

É Cazuza, estamos inventando o amor para se distrair, eu fico imaginando que bom vai ser quando a gente começar a sentir. Sem fuga, sem medo, sem fingir que não vê! Quero ver como vai ser quando a gente se entregar de verdade, sem medo ou jogos bobos. Sem olhar bundas, peitos e um intelectual bobo. Quero ver quando a gente colocar todos esses sentimentos arrumados no lugar. Não, não precisa ser em prateleiras como troféus. Que tudo se arrume numa bela história romântica, sem inventar amores, mas vivê-los de maneira intensa. E quando acabar, a gente pensar que ele existiu e viveu até a última gota.

Ao invés do “nosso amor a gente inventa”, prefiro o “preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder por engano”. Porque afinal, de quê vale a vida sem o amor? Ah, Cazuza…

Assinatura Ju - 2013

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

2 comentários em “Ficou tudo fora do lugar

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